Monthly Archives: Outubro 2012

Saiu o Duque a Balsemão

Traduzindo: Duque paga à Impresa de Balsemão, com dinheiro do ISEG, para ser comentador.

Que belo Duque saiu a Balsemão! Isto de ter comentadores pagos a dar dinheiro a ganhar ao grupo é uma grande cartada!

João Duque, presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) lançou um concurso público para a compra de 160 mil euros em  espaços de publicidade na comunicação social e os critérios só permitem um candidato, a Impresa de Pinto Balsemão, que só por “coincidência” paga a Duque para ser comentador na SIC Notícias e para escrever artigos no Expresso… Ou melhor, afinal, sabe-se agora que quem paga para Duque comentar nos media da Impresa é o ISEG, ou seja os nossos impostos…

Um belo negócio de merdia este. Assim é fácil ganhar dinheiro nos media, muito dinheiro..

Como revela o CM, o caderno de encargos resume que “para a publicação dos anúncios pretende-se um grupo de comunicação social que tenha um canal de TV e ainda um jornal semanal com mais de 100 mil exemplares de tiragem, dirigido às classes A, B e C”. O ISEG põe ainda como exigência que “o grupo deverá também ter uma revista semanal, que aborde temas de gestão, economia e finanças, com tiragem semanal de pelo menos 100 mil exemplares”. Ou seja, a Impresa,  único grupo de merdia do País com tais características.

João Duque, claro está diz que  “é possível que o concurso tenha como objectivo publicitar no ‘Expresso’”, uma escolha que “tem que ver com o ‘target’ a atingir”. “Se quero fazer uma campanha de largo espectro sobre as licenciaturas, tenho determinado tipo de público e escolho um meio. Se for publicitar pós-graduações, uso outro meio.”

E se há culpa disto parecer tudo pouco sério, é da lei:  “tenho de fazer contratos em abstracto porque essa é a imposição” do Código dos Contratos Públicos. “A lei é feita sem ter em conta a realidade das instituições, daí a necessidade de afunilar critérios”, diz Duque.

A tomar-nos por parvos, o Duque de Balsemão diz que a ligação ao grupo enquanto comentador e os parâmetros do concurso “são mera coincidência”. Enquanto a séria Impresa diz:  “Juntar as duas coisas [o comentário ao concurso]” não é correcto”…

Nada correcto, por isso colocando uma incorrecta nota final no assunto: quantos outros casos há de gente nos nossos merdia a comprar espaço de comentário com dinheiro de entidades públicas? É que neste campeonato, o Duque de Balsemão surge para já destacado.

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Oliveira vende “Notícias” aos angolanos

A 11 de Janeiro tinha aqui escrito: “Joaquim Oliveira está à beira de conseguir ver-se livre dos “Notícias” e outras publicações do grupo Controlinvest. Com o negócio quase concluído, Oliveira respira de alívio. E agora adivinhe lá quem são os compradores…?”

Agora está concretizado mais um passo para um controlo dos merdia portugueses por angolanos. Joaquim Oliveira já formalizou a venda do seu  grupo de media, com os títulos Diário de Notícias, Jornal de Notícias, O Jogo e TSF. 

E como é natural não é revelado o nome do grupo angolano e quanto pagam, sabe-se só que a participação de 33%  da Controlinvest na VASP também está incluída na transacção. Por isso mantém-se a pergunta, mas já com uma boa ajuda: Adivinhe lá quem são os compradores…?”

Joaquim Oliveira vai assim entreter-se com o negócio na área dos direitos televisivos e desportivos e com a participação na Sport tv.

Crise Lusa, duas perguntas, um futuro dos Merdia

Estou solidário com muitas das razões que levam os jornalistas da Lusa à Greve, mas há duas perguntas que me parecem ser fundamentais ao futuro dos nossos merdia:

Será que nestes próximos dias os media deste país vão aprender a alargar o leque de fontes sobre a actualidade e deixar de depender de um modo excessivo de uma acrítica utilização da Lusa?

Será que a Lusa vai aproveitar para perceber para que serve neste tempo de informação ao minuto a que ainda não me parece que se tenha sabido adaptar de um modo eficaz?

Cunha Vaz na RTP gera indignação

A Comissão de Trabalhadores da RTP não entende por que motivo a administração liderada por Alberto da Ponte contratou Cunha Vaz para tratar da comunicação, numa altura de contenção e austeridade. Ou melhor, entende bem porque o fez… Tanto que diz que quer explicações sobre o contrato feito «por ajuste directo» à «agência de um empresário que se diz amigo do presidente do Conselho de Administração»

Os valores envolvidos não se conhecem, mas fica a pertinente pergunta: “Não será esta duplicação de funções não essenciais um despesismo infractor daquela ‘contenção de custos’ que o Conselho de Administração afirma observar?”.

Isto depois de lembrarem que a direcção de marketing da empresa tem sido «consideravelmente reforçada nos últimos tempos com meios humanos e técnicos».

 

Balsemão sem automóveis e decoração

Balsemão está numa de fechar revistas e despedir. Em dificuldades com a crise, decidiu “descontinuar as suas marcas na área da decoração e na área automóvel”.  As revistas Casa Cláudia, Casa Cláudia Ideias, Arquitectura & Construção vão deixar de ir para as bancas, mantendo-se apenas a Caras Decoração. Os títulos Autosport e Volante, do sector automóvel e os sites Relvado e Mygames deixarão também de existir.

Prepara-se agora para despedir trabalhadores, entre os quais 9 jornalistas.

Jornalistas falam sobre Despedimentos

Tem sido longa e muito acalorada a conversa de jornalistas sobre os despedimentos no Público (que aqui dei em primeira mão), em particular, e noutros merdia, em geral, como mostra este excerto apanhado no Grupo dos Jornalistas no Facebook.

Ao longo dos anos, sucessivas administrações de empresas tomaram decisões baseadas em estudos de qualidade duvidosa ou mesmo em estudos nenhuns. As empresas de Comunicação Social quiseram, cada vez mais, os seus jornais parecidos uns com os outros. Primeiro era o DN a bíblia, depois o JN, o Público, o Expresso, o Corre

io da Manhã… Cada um inveja(va) as páginas do vizinho e queria as suas cada vez mais parecidas. Sem perceberem, ou quererem perceber, sucessivas administrações e direcções foram descaracterizando jornais, rádios, televisões, etc., etc.. Deteriorando aquilo que era a identidade de cada título, afastando cada vez mais leitores, ouvintes, telespectadores.
Ao contrário do que muitos tendem a afirmar, para mim, o problema não é haver cada vez menos gente a ler jornais ou ouvir rádio. O problema é haver cada vez menos jornais diferentes, com histórias, notícias novas e não requentadas dos onlines da véspera. Porque muitos nem sequer têm gente suficiente para procurar essas histórias.
Infelizmente parece que ninguém quer olhar para isso. E assim, no Público, mais 48 trabalhadores vão ser descartados, como foram 120 na Controlinveste em 2009, várias dezenas n’O Primeiro de Janeiro e O Comércio do Porto, e várias dezenas no Sol, Expresso, Record, Correio da Manhã, etc., etc., etc. Centenas de jornalistas e outros trabalhadores ligados ao sector apenas nos últimos três anos e meio.
A corda, para não variar, parte sempre pelo lado mais fraco e nenhuma administração parece verdadeiramente interessada em perceber por que se chegou onde se chegou hoje.
Total solidariedade para com os camaradas que – hoje – têm a corda na garganta.
  • Carla Teixeira Acabei de dizer parte disso mesmo num mural aqui ao lado. O Hélder tem toda a razão.
  • Maria Dulce Varela Parilhei no meu mural. O Helder esta mais que certo na sua análise
  • Sofia Filipe É triste, muito triste e o pior é quem vindo a ser assim, com maior frequência, desde 2007/2008.
  • João de Sousa E esta tendência está presente em muitas áreas de negócio. Em vez de abrirem novos mercados perseguem o escopo de dividir os clientes já existentes. Além de “pequenino” é imbecil, se me permitem a franqueza.
  • Alfredo Mendes Felicito-o, Helder, pela sua reflexão. Como sabe, durante anos e anos essa foi a minha persistente luta – inglória. Que era uma prima-dona, um dinossauro, um conservador, alguém que se deixou ultrapassar pelos fascinantes prodígios da modernidade. LogoVer mais
  • Eugenio Queiros Alfredo Mendes, acredita numa coisa: esses iluminados safam-se sempre!
  • Alfredo Mendes Subscrevo, Eugénio.
  • C Jacinta Romão Subscrevo Alfredo Mendes.
  • Maurício De Carvalho Alfredo, passou-se o mesmo nas televisões que foram invadidas por programas todos do mesmo género, com os mesmos formatos, os mesmos apresentadores, alegres e saltitantes…tudo piroso e estupidificante…também eu, como alguns outros, eramos uns dinossauros, para quem as novas gerações olhavam com desdém, por não querermos acompanhar os “sinais” dos tempos, a modernidade que invaidia o éter… O resultado está à vista…a audiências, apesar de todas as ofertas, bonús, prémios e shows degradantes, cairam a pique. E não nos venham com a história da Net e das alternativas de lazer…Ainda me lembro da justificação que deu Proença de Carvalho para fechar o Informação/2…que não atingia sequer o milhão de audiência. Hoje o Proença fechava todas as estações, apeadeiros e outros locais onde se diz fazer televisão. E quem vai pagar, hoje, a factura dos descalabros que outros provocaram com opções e estratégias erradas?…as vedetas, os directores, as longas legiões de chefes, sub-chefes, contrachefes?…não os jornalistas, a factura vai sempre parar os mesmos…
  • Alfredo Mendes Exactamente, Maurício de Carvalho. Houve oportunismos, cumplicidades e cedências. E desdém e achincalhe para quem pugnou pela decência e bom senso. Ter razão custa muito – até o ostracismo (vulgo prateleira) e a reforma antecipada (vulgo reestruturação). A corja, essa, continua na ribalta, mais endinheirada do que nunca.
  • Fernando Ricardo Querem acabar com a nossa memória colectiva !!! e a maioria das administrações dos jornais, sabe tanto de comunicação social, como eu de pesca….zero !!!!
  • Alfredo Mendes É verdade, Fernando Ricardo. Neste mesmo espaço chamo a esses administradores “Empreiteiros de Jornais”.
  • João de Sousa E eu também subscrevo Alfredo Mendes. Alguém não soube distinguir onde se podia inovar e onde se devia preservar a espinha dorsal dos projectos. Qualquer uma é melhor que nenhuma, e ao pretender “combinar” diferentes conceitos produziram-se “umbrellas”Ver mais
  • Alfredo Mendes Exacto, João de Sousa. Houve quem alertasse, pagasse por isso e… os resultados estão bem à vista. Mas os tais vendedores de banha da cobra que tão bem souberam deslumbrar os empreiteiros de jornais continuam de pé, pagos a peso de ouro. Rua, rua com os jornalistas e, quiçá, com a senhora de limpeza. São esses as gorduras dos jornais.

A Decadência do Público

O  “Público” via quer avançar com o despedimento colectivo de 36 jornalistas, ficando com menos de 100 no quadro que no final do último ano tinha 252 profissionais. Números suficientes para mostrar a total decadência do título da Sonaecom que agora é também amplamente acusada nas redes sociais de decadência moral, como mostra um texto do jornalista Ricardo Dias Felner de se retiram algumas frases esclarecedoras:
Num processo de despedimento, como o do Público, não é indiferente quem se escolhe para ir embora. E é preciso que se deixe isto bem claro: as pessoas inscritas na lista da directora, Bárbara Reis, não são os piores jornalistas da redacção. Eu conheço-os a todos.

São os jornalistas de quem BR não é amiga, que não a acompanham no jornalismo arty, nem nas tertúlias do Chiado. São os jornalistas que não debatem diariamente com BR sobre artes plásticas, arquitectura japonesa e direitos humanos de povos remotos e exóticos.

São os jornalistas que ousaram criticar as opções editoriais de BR, dentro do Conselho de Redacção. São os jornalistas que defendem um jornal feito de jornalismo e de notícias, e não apenas de crítica, opinião e ensaio.

O Público era um oásis de liberdade, de seriedade, de loucura. BR deu-lhe uma machadada severa. Vai ficar na tristemente na história, entre outras coisas, como a pessoa que quis despedir José António Cerejo, o jornalista mais marcante do nosso tempo.


 

 

Quem será o Pedro Norton de Murdoch?

Na cena de saída de cena, Balsemão, pressionado pelas circunstâncias financeiras, antecipou-se a Murdoch…

October 9, 2012
Rupert Murdoch, son of a successful Australian newspaper publisher, has built the world’s largest media corporation with assets that include Fox News, The Wall Street Journal, the New York Post, the Times of London, The Sun (UK), numerous cable and network television stations, magazines and web sites, not to mention book publisher Harper Collins and movie studio 20th Century Fox. But as he reaches the end of his long career, Murdoch has become bogged down. In July, he resigned as director of News International. He insists that he is still at the helm, but surely, there needs to be someone in line to take his place as head of News Corporation. Murdoch has someone in mind. And it’s someone you’ve probably never heard of.
Who is Rupert Murdoch’s Heir?

Lachlan Murdoch, left, and James Murdoch, right, with their father, Rupert Murdoch, chairman and CEO of News Corporation, in Sun Valley, Idaho for Allen & Company’s Sun Valley Conference on July 12, 2012. (Kevork Djansezian/Getty Images)

Lusa quo vadis?

Parece-me que o corte anunciado na Lusa  vai pelo menos servir para melhor se perceber que caminho quer a Lusa trilhar. É que muito que se queixem lá para os lados de Benfica, a verdade é que há muito a Lusa deixou de entender a realidade e a ela se adaptar. Informação em tempo real é coisa que a agência não domina e não entende. E hoje o público e os clientes da Lusa pedem isso mesmo. E pedem também que os jornalistas que lá estão se deixem de algum comodismo instalado e queiram, de facto, ir onde os outros não precisavam de ir.

O conforto de algumas cadeiras da agência tem levado a que alguns que por lá andam, há notáveis excepções e conheço várias, prefiram o trabalho de secretária, mas não é para isso que a Lusa serve (serve mesmo para o contrário, para sair à rua e deixar os clientes sentados nas cadeiras à espera das frescas novidades que a agência devia oferecer).

Agora com a certeza de cortes já não se limitam a ficar sentados, agora agarram-se com todas as forças às cadeiras para tentar evitar sairem de vez.

 

A lápide de Balsemão

O que dizem os seus olhos? Uma bonita pergunta que Daniel Oliveira irá colocar a Balsemão no Alta Definição

Balsemão deixou gravada numa lápide junto à exposição dedicada aos vinte anos do canal de Carnaxide esta bela frase: “Do que fiz na vida, colocaria como fio condutor e como objetivo cimeiro, exercido e conseguido de diversas maneiras, consoante as épocas e as responsabilidades, a luta pela liberdade de expressão em geral e, em especial, pelo direito a informar e a ser informado”.

Como se não sobrassem outros exemplos, deixo aqui este esclarecedor para fazer o contraditório:

Censura na SIC… Uma história de pressões, corruptos e outros passarões ou o inédito fim dos ‘Donos da Bola’, contado por quem fazia o programa desaparecido, em combate, sabe-se agora.