Monthly Archives: Dezembro 2012

A Última Ceia de Godinho Lopes servida por Cunha Vaz

A Ultima Ceia de Godinho Lopes

Nem o espírito natalício, que também me aflige, é capaz de atenuar o disparate tremendo de comunicaçao que é esta imagem.

O jornal do Sporting decidiu assinalar a quadra natalícia com uma homenagem especial ao eclectismo do clube de Alvalade com uma imagem que faz lembrar a “Última Ceia” de Leonardo Da Vinci. Ou seja, coloca Godinho Lopes rodeado por vários atletas do clube (que tomam assim o lugar dos apóstolos) na sua última ceia, qual Cristo.

Para quem ouve diariamente pedidos para que saia da presidência, desejar aos sócios um Feliz Natal com tal imagem é mesmo por-lhes uma bela prenda no sapatinho…

Uma imagem fatal, esta última ceia de Godinho Lopes servida por Cunha Vaz , a agência de comunicação do clube, e mais um sinal do descontrolo que reina em Alvalade (nota: se não foi Cunha Vaz quem a serviu, então fica por saber para que tem o Sporting uma agência de Comunicação, se não intervém na comunicação).

Para os mais distraídos convém recordar que o Sporting gasta mais de 20 mil euros/mês na área da comunicação. E gastar, não investir, é o melhor verbo a usar neste caso. Como revelava em tempos o Correio da Manhã os valores são estes:

Irene Palma – directora de comunicação do Sporting (contratada por Carlos Barbosa): 4 mil euros/mês.

Pedro Sousa – director de comunicação da SAD e só para o futebol (contratado por Luis Duque): 14 mil euros/mês.

Cunha Vaz & Associados – contratada por Godinho Lopes (mas aqui o preço é bom para o Sporting): 2500 euros/mês.

Além de, como já sublinhou Rui Calafate, o Sporting ser o único clube do mundo onde o director de comunicação, no caso uma directora, ganha menos do que um outro elemento da comunicação do clube, a coisa é ainda mais absurda quando o resultado da comunicação é este.

 

 

 

Recados, a pensar no amanhã

Contra a campanha anti-Angola promovida sobretudo pelo grupo Impresa  e com resposta pronta em Luanda, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA) pediu há dias aos media portugueses e angolanos que “não estraguem” as boas relações bilaterais. Se por um lado o pedido é insólito e abre as portas a recados vindos de todo o lado, o mesmo só se percebe no quadro de uma também insólita campanha contra  aqueles que podem amanhã vir a ser donos dos media que promovem a dita guerra (e onde têm já participação), tal o apetite por tudo que mexe no campo merdiático.

Carlos Bayan Ferreira junta ao pedido duas adendas: recorda que os investimentos angolanos em Portugal ultrapassaram este ano, pela primeira vez, os investimentos portugueses em Angola e que as exportações portuguesas para Angola aumentaram 33% face ao mesmo período do ano passado, enquanto diminuíram as exportações para destinos tradicionais na Europa.

 

Murdoch: The Daily, o jornal do séc XXI que nem deu para um ano

Apresentado como o jornal do século XXI, o The Daily não resistiu um ano… E fecha já este sábado. Conseguiu apenas 100.000 leitores (ainda assim mais que o Expresso) quando os mínimos olímpicos para pagar o investimento eram 500.000, só 5 vezes mais.

Murdoch meteu a pata na poça e não soube entender que um media do século XXI não o é só porque usa tecnologia deste século e porque é muito bonito. Como refere Ken Doctor no blogue “Newsonomics“,  o The Daily apesar de visualmente ser muito sedutor, em termos de conteúdos é muito ligeiro. “Se alguém chama a um jornal The Daily deve arranjar forma de o tornar num media a ler absolutamente todos os dias, ou seja, com conteúdo diferenciado”. O problema é que não oferecia nada que outros media ditos do século XX não ofereçam.

“Desde o seu lançamento, o The Daily foi uma experiência ousada na publicação digital e um maravilhoso veículo de inovação. Infelizmente, a nossa experiência mostrou-nos que não conseguimos encontrar uma audiência suficientemente grande num curto espaço de tempo, para nos convencermos de que este modelo de negócio seria sustentável a longo prazo”, diz Murdoch, em comunicado.

Depois de, em Julho passado, terem siddo despedidos 50 dos 170 trabalhadores do jornal, agora o fim anunciado leva os restantes para o mesmo caminho.

Ruper Murdoch, como outros magnatas dos media, não é compatível com o século XXI, e está habituado a uma certa forma de estar nos media que já não é deste tempo. Um tempo em que a liberdade de informação já não é propriedade dos concentrados de media, por muito que lhes custe. Há também outra maior liberdade, a de escolha de quem nos informa,  e, pelo visto, poucos escolheram o The Daily….

Aliança Cofina-Newshold agita Balsemão

A Cofina, apoiada pelo investimento financeiro da angolana Newshold, estará na frente da corrida à privatização de 49% da RTP . A notícia de hoje ajuda a explicar a agitação de Balsemão contra investidores agolanos e porque andou a dar recados à concorrente Cofina, nos últimos dias.

Tudo o que ponha a privatização da RTP a mexer é uma ameaça ao decadente império mediático de Balsemão, e por isso há que criar inímigos públicos para impedir o Estado de avançar com a ideia peregrina de pôr fim ao confortável estado das coisass, em que temos os portugueses a pagar uma RTP 1  para não fazer concorrência à SIC, que assim tem assegurada maior fatia do bolo publicitário.

Balsemão diz que o mercado da televisão aberta em Portugal não tem condições para a entrada em cena de um novo “player” privado, mas o que quer mesmo dizer é que a SIC não será capaz de viver com mais concorrência. Um problema dele, dirá o leitor, e muito bem. Porque problema nosso, é continuar a pagar todos os anos às estrelas milionárias da RTP.

Há dias, Balsemão veio afirmar, face a fortes valorizações das acções dos media e elevado volume de negociações,  que gostava de saber quem tem andado a comprar. Uma transparência que não lhe ouvi defender quando a Newshold, que ninguém sabe quem controla, comprou  acções da Impresa. Agora que os investidores angolanos se mexem num sentido contrário ao que lhe interessa já há muito a explicar… Abençoada coerência.

Media de Balsemão atacam Angola

Face a este cenário de aliança angolana com a Cofina rumo à RTP, melhor se entende o ataque a Angola que os media de Blasemão têm encabeçado.

Expresso ataque comucacional  a Angola

Procuradoria abre inquérito a altos dirigentes angolanos

E para quem sempre afirma que nunca usou o Expresso em causa própria e que por isso ligar os interesses particulares de Balsemão com as manchetes do Expresso é exercício de má fé. Aqui fica esta bela recordação, em que o Expresso de Balsemão faz manchete com… Balsemão. Num singular exercício que faz lembrar a famosa rábula de Ivone Silva – Olivia Patroa, Olivia Costureira.

Balsemão manchete no seu jornal

Egipto: Jornais em protesto

A revolução egípcia está para os media egípcios a ser uma merdia… Hoje os jornais protestam contra Constituição que, segundo dizem, restringe a liberdade de expressão, num país onde muitos viam a revolução como libertadora.

Os jornais independentes, liberais e opositores egípcios não se publicam e canais independentes de televisão anunciaram que vão exibir ecrãs a preto, numa interrupção da transmissão.