Monthly Archives: Novembro 2012

TV pública a perder credibilidade

Numa altura em que por cá se tem discutido a necessidade e credibilidade da televisão pública, que, tema em destaque esta semana, paga ordenados milionários, com dinheiro dos contribuintes, em Inglaterra a BBC vive uma crise sem precedentes e perdeu, em dois meses, muita da credibilidade acumulada ao longo de décadas.

Toda a cúpula do jornalismo da BBC viu-se obrigada a pedir a demissão depois de uma série de erros cometidos pela emissora nos últimos meses. Erros graves numa estação abalada pela polémica de ter encobrido abusos de menores cometidos pelo apresentador Jimmy Saville.

Há dias, a emissora exibiu um programa onde mostrava uma vítima que diz ter sofrido abusos sexuais, por parte de um conhecido político conservador, num orfanato no País de Gales, na década de 1980. .

O programa não identificava o pedófilo, mas logo surgiram na internet comentários a dizer de que se tratava de Lord McAlpine, membro da Câmara dos Lordes e amigo do primeiro-ministro David Cameron. Lord McAlpine negou as acusações, disse que em nenhum momento foi procurado pelos jornalistas para se defender. E para piorar, o entrevistado retirou a acusação, dizendo que se enganou na pessoa. Não era Lord McAlpine o agressor, era outro.

A BBC é uma fundação pública, mantida pelos espectadores e ouvintes de rádio através de uma taxa anual. A taxa é autorizada por um alvará, um privilégio real, e é renovável. Expira daqui a dois anos…

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Lusa espanhola… Está tudo doido?

A ideia peregrina de entregar parte da Lusa à EFE tem, de facto, muito de preocupante, como nota Nobre-Correia, neste artigo de opinião que a seguir reproduzo.

É espantoso que passe pela cabeça de alguém autorizar que a única  agência de notícias portuguesa seja colocada ao serviço do interesse espanhol. E, a acrescentar a isto, fazê-lo para dar dinheiro a ganhar a Oliveira e Balsemão, dispostos as vender 45% da agência e que assim mostram o quanto os preocupa o interesse nacional.

PLANETA MEDIA

A hipótese mais preocupante

por J.-M. NOBRE-CORREIA10 novembro 2012

A passagem da agência de informação portuguesa para controlo espanhol constituiria o pior cenário de saída da crise e a mais séria ameaça para a soberania nacional…

Ao que parece, a espanhola Efe estaria interessada em comprar 45,71% da Lusa: seria o pior que poderia acontecer à agência portuguesa! Historicamente, com efeito, as agências de informação nasceram no quadro das fronteiras do Estado nacional. Criadas por privados (Havas-AFP, Reuter), meios de negócios (Belga), media (AP, ANSA, DPA) ou administrações públicas (Efe). Mas, de qualquer modo, as agências foram sempre percebidas como pilares essenciais da soberania nacional em matéria de informação.

Quer isto dizer que as administrações públicas como os media foram sempre extremamente sensíveis ao facto de disporem de uma agência de origem nacional. De uma agência que lhes propusesse uma abordagem da atualidade no mundo segundo uma perspetiva nacional, conforme à sensibilidade nacional, aos interesses nacionais (diplomáticos, económicos, culturais, históricos…). Pelo que os meios governamentais, económicos e mediáticos sempre estiveram atentos aos destinos das agências de informação nacionais.

O caso da Lusa apresenta particularidades. A de ter o Estado como acionista maioritário (mas não é a única agência nesta situação). De ter apenas dois acionistas privados importantes (Controlinveste e Impresa). De estes quererem estranhamente vender as suas participações. De não haver de facto mais nenhuma agência de informação nacional (ao contrário do que acontece em Espanha, em França, na Itália, na Grã-Bretanha ou na Alemanha, por exemplo).

Ver a Efe adquirir 45,71% da Lusa é ver o Estado espanhol entrar na agência portuguesa. Porque a Efe é controlada a 99,60% pela Sociedade Estatal de Participaciones Industriales. Teoricamente, a Lusa passaria pois a ser detida por dois Estados (e neste caso por dois governos), o que não é particularmente favorável a uma informação independente. Mas isso constituiria de facto uma tomada de controlo da Efe, quarta agência de informação no mundo. E todas as outras hipóteses de abertura a agências estrangeiras seriam em princípio menos preocupantes…

Pearson quererá ceder o ‘FT’?

Segundo a agência Bloomberg, o britânico Pearson, depois de ceder a maioria do editor Penguin ao alemão Ber-telsmann, quer vender o diário eco-nómico londrino Financial Times. Candidatos à aquisição: os estado-unidenses NewsCorporation e Bloomberg, e o canadiano Thomson Reuters. Custo: 1,3 a dois mil milhões de libras.

RCS encara ceder os magazines

O grupo italiano quer reposicionar-se na edição de diários (Corriere della Sera e Gazzetta dello Sport) e de livros (Rizzoli), e passar o sector dos magazines, fechando os que não encontrarem comprador. Com uma dívida de 800 milhões de euros e perdas de 427 milhões, o RCS pensa despedir cerca de 500 dos seus 5200 empregados.

Subidas e baixas na TV espanhola

O consumo de televisão em Espanha não para de crescer: 251 minutos diários em 2012 contra 223 em 2007 (o ano antes do início da crise publicitária). Enquanto o número de sequências publicitárias, o tempo de ocupação publicitária e os preços de publicidade não deixaram de baixar, provocando uma queda das receitas.

Balsemão só ao microfone consegue ficar mais perto da liderança…

Balsemão até usa uma gravata da cor do CM… Mas, só ao microfone consegue ficar mais perto da liderança…

O Correio da Manhã tem vindo a reforçar a liderança, e tem já  uma quota de mercado recordista entre os diários generalistas de 5 3%, o que prova que o mercado dos media é possível fazer mais e melhor ao contrário do discurso fatalista que sopra de grupos de media sem visão e sem rumo, por muito que digam ter ambas…

Prova disto mesmo, o jornal que vai segundo lugar é o Expresso, o honroso “líder nos semanários”, mas com sinais claros de decadência e a perder cada vez mais leitores. Já muito longe dos 100.000 exemplares, tem agora uma média de 82 738 exemplares, com uma quebra de 12% nas vendas em banca. E não é só aí que perde:

Impresa com prejuízos de 3,6 milhões até Setembro

A Impresa registou um resultado líquido negativo de 3,6 milhões de euros até Setembro deste ano, uma melhoria de 89,4% face aos 34 milhões de prejuízos obtidos em igual período de 2010.

A dívida líquida do grupo liderado por Francisco Pinto Balsemão foi, até Setembro, de 218,9 milhões de euros, o que representa uma redução de 13,7 milhões em termos homólogos.

Nos primeiros nove meses de 2012, as receitas consolidadas da Impresa foram de 167,2 milhões de euros, uma descida homóloga de 8,5%.

Até Setembro, as publicações do grupo registaram uma descida de 11,4% nas vendas, ao mesmo tempo que se verificou um aumento de 13,6% nas receitas de multimédia, “resultante dos novos concursos lançados na televisão”.