Monthly Archives: Janeiro 2011

Balsemão “Pessimamente Mal”

Mal! Pessimamente mal”, Rafael Mora sintetiza assim as relações entre Balsemão e a Ongoing de que é vice-presidente. Quem fala assim não é, de certeza, gago. Mas é um caso raro.

Rafael Mora revelou este fim-de-semana, em entrevista conjunta ao Diário de Notícias e à TSF, que “As relações com o dr. Balsemão ficaram mal“, depois de uma proposta de aumento de capital da Impresa (que levaria a uma reestruturação da administração do grupo), feita pela Ongoing, ter sido vista por Balsemão como hostil e  merecido resposta do patrão da Impresa por via do seu já habitual meio de comunicação para o efeito: o “Expresso”.

Uma forma de estar na vida e nos negócios a que já muitos estão habituados. É  normal em Balsemão responder através do Expresso, e é até compreensível que o faça, dado que aquilo lhe custa caro e por isso, mesmo que não sirva para mais nada, é bom que sirva também para mandar recados.

Quando questionado directamente sobre como ficaram as relações entre a Ongoing e Balsemão depois da notícia do Expresso de que a Ongoing ia para a TVI, a resposta foi clara: “Mal! Pessimamente mal. Mas pessimamente mal porque ele quis. Porque ele, realmente, respondeu através do Expresso, e a partir daí o grupo Impresa transformou-se num grupo hostil. Aquelas pessoas que, um mês antes, adoravam e gostavam muito da Ongoing, passaram a odiar, a atacar, a suspeitar permanentemente da Ongoing. Acho que tiraram uma máscara, mas é uma forma como outra qualquer de estar na vida”.

Pois é, é mesmo uma forma de merdia de estar na vida…

A parte da entrevista alusiva a Balsemão pode ser lida aqui

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Jornais americanos em novo site pago

Os conteúdos do The Washington Post, USA Today, New York Times e alguns artigos  seleccionados do Financial Times, passam a estar disponíveis online por 7 dólares mensais, no site de conteúdos pagos Ongo.

Por um valor adicional os internautas passam a ter acesso a uma série de outros títulos regionais norte-americanos, como o Boston Globe, o Charlotte Observer, o Miami Herald, o Sacramento Bee, ou ainda ao jornal britânico The Guardian.

O projecto Ongo é a concretização da aposta feita por um conjunto alargado de editores americanos para a criar um serviço pago de notícias “pessoal que refina a forma como as notícias digitais são lidas, descobertas e partilhadas ao trazer o melhor conteúdo de uma variedade de fontes para o mesmo local”.

Pagar pelo acesso à informação online continua a ser a aposta dos editores, uma estratégia que já conheceu várias soluções e tem tido dificuldade em vingar, mas só o tempo dirá se este novo projecto resulta num ambiente virtual onde o princípio do acesso livre e gratuito impera.

Rádio de notícias de Rangel aprovada

A Rádio Europa Lisboa vai poder passsar a ser uma emissora de informação.A decisão já foi comunicada a Emídio Rangel pela  Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), avança o SOL.

Emídio Rangel está assim autorizado a comprar a rádio e a alterar a licença do canal para o transformar numa estação temática de informação com “serviços informativos, 24 horas por dia, de 30 em 30 minutos, programas de informação, em todas as disciplinas do jornalismo – da entrevista ao debate, da reportagem ao frente-a-frente”.

Este é mais um passo para Emídio Rangel criar um novo grupo de comunicação social,  com uma rádio, um semanário  e um canal de televisão.

SIC Perde Presidenciais

A Ronalda de Carnaxide parecia advinhar que brevemente a  SIC seria “The Biggest Loser”

A SIC é grande derrotada da noite de Eleições Presidenciais, nas audiências. A RTP1 liderou com 1 175 100 telespectadores, o que corresponde a um share de 29,2%.

Em segundo lugar,  ficou a TVI, com 1 026 300 telespectadores (26,5% de share) e no terceiro lugar ficou o terceiro canal (que mantém uma admirável coerência já aqui e aqui antes destacada), visto por 786 200 pessoas (19,7% de share).

Prisa despede 2500

De Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos”. Esta expressão encaixa-se como uma luva em relação às mais recentes notícias que sopram de Madrid, em altura de casamento entre a Prisa e a Liberty, e que infelizmente vão afectar também trabalhadores de alguns media portugueses, cada vez mais na merdia.

A Prisa, que em Portugal detém a TVI e a Media Capital Rádios,  anunciou hoje, em comunicado que vai despedir 2500 trabalhadores (2.000 em Espanha e 500 em Portugal e América Latina),  devido a uma reestruturação em curso.

Os despedimentos representam 18 por cento do total global de postos de trabalho do grupo e o plano será implementado até ao final do primeiro trimestre de 2012.

Estágio em Desemprego

As Universidades portuguesas prepararam, em 2010, muitos dos seus alunos finalistas para um estágio (com duração variável) no díficil e altamente competitivo mercado do desemprego.
Os recém-licenciados foram quem mais sofreu com o problema do desemprego, no último ano, com uma subida de 11,3% no número de inscritos nos centros do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

15 vão de Expresso para o desemprego

O semanário de Balsemão deu já um passo decisivo para mandar para o desemprego 15 trabalhadores, jornalistas e administrativos, ao ter chegado a acordo para a rescisão dos contratos.

O “Espesso” está apostado em emagrecer para reduzir custos, com a receita simples de despedir trabalhadores, uma medida que certamente não chegará aos três filhos que Balsemão tem a trabalhar no seu concentrado de media.

“El País” corta salários pela metade

A entrada da Liberty para a liderança do grupo espanhol Prisa já está a produzir efeitos drásticos no diário “El País”, onde a massa salarial dos cerca de 800 profissionais deverá ser cortada em 50%…

Expresso Pró-PSD?

 

Depois de ler a notícia “Futebol é arma secreta de grupo pró-PS”, sobre o novo projecto de comunicação encabeçado por Emídio Rangel, publicada na edição do passado sábado do Expresso, assaltam-me, pela mesma lógica usada no artigo, uma série de questões:

Se o novo grupo de media será pró-PS, que dizer de um grupo de comunicação social liderado por um antigo membro da ala liberal do regime salazarista, ex-presidente do PSD, ex-Primeiro-Ministro pelo PSD e actual militante número um do PSD?

É a Impresa um grupo pró-PSD? Ou será um grupo pró-ditadura com inspirações liberais?

Pela amostra de notícia publicada na pág. 2 do Expresso, curiosamente não assinada (uma atitude à altura da seriedade do semanário em causa), parece, no mínimo pró-qualquer-coisa de lamentável infelicidade, dado o exemplo que o jornal tem dado ao longo destes anos. E este fim-de-semana volta a dá-lo, com mais este “alfinete de peito”…

 

“Expresso deixou de ser indispensável”

Balsemão a sorrir com o seu Expresso

Só Balsemão não dispensa o seu “Expresso”

“O Expresso deixou de ser indispensável (…) porque deixou de ter o peso que tinha em termos de conteúdo e de originalidade. Passando mesmo a praticar o que de mais criticável há no jornalismo português: o sensacionalismo de títulos (de rivalidade, antagonismo, denunciação), ilustrações gigantescas desprovidas de interesse informativo ou estético (mas apenas para encher as páginas), crónicas demasiado egocêntricas e snobes (começando pelas dos próprios responsáveis), proliferação de temas em que só o microcosmos alfacinha e uma socialite tonta se revêem…”, dizia, há dias, José-Manuel Nobre-Correia, professor da Université Libre de Bruxelles, em artigo de opinião publicado no Diário de Notícias.

O professor nota ainda que “o Expresso não se tem adaptado suficientemente às novas necessidade da sociedade, nem à evolução recente dos media e do jornalismo” e, por isso, “esta nova sociedade portuguesa e as suas elites esperam por isso outro tipo de semanário de referência”.

Uma leitura lúcida da actual situação do semanário de Balsemão, cuja decadência tem vindo a ser assinalada e criticada neste blog, só possível de ser publicada por alguém que se encontra fora do círco mediático cúmplice e acrítico português e, em particular, por alguém não dependente do patrão Balsas.

Respondendo claramente a uma pergunta colocada por J-M Nobre-Correia – O semanário que marcou um momento da história da imprensa e do jornalismo poderá ser de novo a ‘referência’ que foi? –, digo que a resposta me parece evidente: Não.

Teremos mesmo de esperar por outro semanário, um produto desta época, deste século, que se torne a referência, porque do Expresso, por muita maquilhagem que se lhe venha a colocar, pouco ou nada podemos esperar. O contexto já não é o mesmo e os interesses de Balsemão também mudaram. E o Expresso, como se tem visto, tende sempre a seguir caminho paralelo ao do seu “fundador”, que tal como o semanário deixou há muito de ser indispensável (se é que alguma vez o foi). Pena é que por cá ainda muitos não tenham percebido isto e continuem a beber do concentrado de media de Balsemão, sem se aperceberem que o mesmo há muito perdeu já a validade e só mal tem feito à saúde dos media portugueses. E vive apenas à conta da inércia e do crédito passado.