Monthly Archives: Setembro 2010

Por a nu concentrados de media

A Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) anunciou hoje que  vai passar a disponibilizar, já no final de Outubro, uma base de dados com informações sobre os proprietários dos grupos de media.

Diz a ERC que esta medida permitirá uma “maior transparência no sector”. Mas este sector não era já transparente? Não saltam à vista desarmada os concentrados que dominam os media do país? Não são visíveis os esforços hercúleos de Balsemão e outros para manter esse cenário de concentração ao mesmo tempo que se dizem defensores inabaláveis da pluralidade?

Nos merdia portugueses não falta transparencia falta é, em muitos casos, carácter e liberdade de informação. Porque a que alguns patrões concedem aos jornalistas é pífia, não serve.

Argumentos infelizes contra privatização da RTP

PS, CDS, PCP e BE estão unidos na oposição à privatização da RTP.

Dizem que é preciso é “reforçar e melhorar o serviço público”, sinal de que de facto as coisas não estão bem como estão e que o actual modelo da RTP não cumpre exemplarmente o seu papel.

Eu não tomo partido, nem me filio em qualquer um deles, e por isso não faço análises com base na premissa: “Eu sou do contra”.

Diz Inês de Medeiros (do PS) que tal privatização “iria contra os interesses do Estado e dos portugueses”, mas duvido que isto seja verdade. Felizmente os portugueses têm muitas alternativas à estação pública e, por algum motivo, não lhe dão a liderança a não ser quando há futebol. E aí não é por gostarem da RTP, é por gostarem do Benfica, do Sporting e do Porto.

Outro argumento, pasme-se, é que tal privatização “lesaria o desenvolvimento da indústria audiovisual e causaria graves prejuízos para o próprio sector privado de rádio e televisão”, na medida que a entrada de mais canais no mercado publicitário teria consequências na saúde financeira das empresas.

Ora aqui está o concentrado de media potuguês a carburar em força. Bom, bom era acabar com a RTP e ficarem só dois canais a repartir as receitas publicitárias e já agora transformar os canais cabo, todos sem excepção, em SIC’s e TVI’s qualquer coisa para que os coitados tenham dinheiro para comer (e se na TVI as coisas até andam, e se fala mesmo em venda, a SIC de Balsemão bem precisa de uns euritos para superar a crise).

A lógica é boa, então em Portugal só cabem duas televisões privadas em sinal aberto? E porque não só uma? Tudo em nome da saúde financeira das empresas!

Percebo que se defenda o conceito de TV pública, mas arrajem argumentos sérios para a defender.

Mulheres com fraca presença nos media

Um novo relatório revela que ainda vão ser precisos muitos anos até que as mulheres consigam conquistar um espaço igualitário no espaço mediático. O sexo feminino constitui apenas 22 por cento das pessoas ouvidas pelos jornalistas na produção de notícias.

Apenas em 22 por cento dos assuntos que foram notícia as fontes de informação eram mulheres, nos restantes 78 por cento as fontes de notícias são homens, diz o relatório do Global Media Monitoring Project.

O relatório diz ainda que apenas 12 por cento das notícias tinham mulheres como foco central, ao passo que apenas cinco por cento destas colocavam em destaque as questões da igualdade ou desigualdade.

O estudo internacional”Quem faz as notícias? Projecto global de monitorização dos media 2010″ avaliou 1365 jornais, canais de televisão e de rádio e portais noticiosos,de 108 países (incluindo Portugal), num total de 17 795 notícias que envolveram 38 253 pessoas.

The Times continua a perder no online

Só em Agosto o site do The Times perdeu 120 mil leitores,com a implementação de uma paywall.

Os dados são da ComScore e revelam que nesse mês o número de visitantes únicos do site caiu 7,6% de 1.579 milhões registados em Julho, para os 1.459 milhões.

Mais um sinal, como outros que aqui tenho revelado, sobre os danos imediatos provocados pela cobrança de conteúdos online nos jornais.

Rádio quer estar na TV

A Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR) prepara uma mudança de estatutos para contemplar a radiodifusão televisiva.

José Faustino diz que esta medida visa “apoiar e preparar a evolução das rádios para a televisão”, uma ideia no mínimo caricata e que demonstra a forma como em Portugal se pensa que os modelos se transportam de um suporte para o outro na base do “copy & paste”.

O responsável entende que os actuais operadores de rádios locais são potenciais concorrentes às televisões locais, e para isso querem entrar nas televisões… Qual seria a reacção se as televisões quisessem entrar nas rádios?

Greve na Lusa

Os jornalistas da Lusa vão avançar para greve em Novembro. Protestam contra a decisão da empresa de rejeitar aumentos salariais para este ano.

Mesmo a proposta de conciliação do representante do Ministério do Trabalho, que propunha um aumento de 1%, à semelhança ao que foi feito noutras empresas de capitais públicos como a Caixa Geral de Depósitos, foi rejeitada. Fazem bem em revoltar-se, para ver se acabamos com este estado de merdia a que chegaram alguns media.

Audiências online testadas no Facebook

A Nielsen Co. prepara-se para oferecer a anunciantes e editores um serviço de novos dados para melhorar a medição de audiências online. O teste está a ser feito com o Facebook.

Trata-se de um “GRP online”, permitindo medir o reach e frequência de um anúncio, metodo usado pela TV. A publicidade online começa a ser cada vez mais apelitiva, embora seja díficil perceber o seu valor, esta ferramenta pode ajudar a entender melhor o seu alcance.

França: Protecção ao jornalismo?

Nicolas Sarkozy terá ordenado a agentes que encontrassem fonte que lhe causou constrangimentos, revela o jornal Le Monde. Apesar de o presidente refutar essa notícia a questão tem suscitado críticas e põe em causa a propalada intenção de Sarkozy de proteger repórteres de terem de revelar os nomes de suas fontes – uma salvaguarda que muitos jornalistas dizem ser necessária para a imprensa livre funcionar. “Um jornalista digno desse nome não revela suas fontes”, disse há dois anos, o chefe de estado francês numa entrevista coletiva. “Todos devem entender isso. Devem aceitar isso.”

A verdade é que o governo francês aprovou a chamada “lei de protecção”, sobre a relação entre repórteres e suas fontes, mas agora, ao que parece foi o próprio Sarkozy a rompê-la. E a verdade é que a agência de contra-espionagem admitiu a investigação, embora o Palácio do Eliseu tenha negado com veemência que tivesse dado a ordem. Seja como for isto vem mostrar que os media só podem trabalhar descansados quando não colocam personalidades graúdas na merdia. Nesse caso arriscam-se a ir parar ao mesmo sítio.

O que querem de nós?

oi esta a pergunta colocada pelo jornal mexicano El Diario de Juárez num editoria depois de um fotógrafo ter sido morto a tiro. Este é já o segundo profissional do diário a ser morto pelos cartéis de droga nos últimos dois anos.

“Queremos que saibam que somos comunicadores e não leitores de mentes. Não queremos mais mortos. É impossível continuar o nosso trabalho nestas condições. Portanto, digam o que esperam de nós”.“Actualmente, são as autoridades de facto nesta cidade porque as autoridades mandatadas têm sido incapazes de fazer o que quer que seja para impedir que os nossos colegas continuem a cair, apesar dos nossos pedidos repetidos”, alerta o jornal.

ESta é uma situação lamentável. No México, são já cerca de 30 os profissionais de media que desapareceram, foram mortos, torturados ou mutilados, o que torna o país um dos mais perigosos do mundo para o exercício da profissão.

Jornalistas na distribuição do Destak

Sei que foi para comemorar o aniversário do Destak, mas é sempre um perigo dar ideias destas aos patrões dos concentrados de media, que ainda se vão lembrar de pôr os jornalistas, literalmente, a distribuir notícias porta-à-porta.

Os colaboradores do Destak vão estar hoje nas ruas de Lisboa a distribuir o jornal. A acção, para assinalar o nono aniversário do gratuito, junta um total de 50 elementos da redacção, departamento comercial, distribuição, marketing e administração, com a habitual equipa de distribuição do título. A distribuição será visível numa reportagem a ser publicada na edição de amanhã do gratuito.