Monthly Archives: Julho 2011

Luís Paixão Martins “director” do próximo Expresso

Balsemão está aflito, com receio que a situação do seu  grupo se torne “apavorante”” e veio a público lamentar-se que  está a lutar contra “manobras” dos “bastidores da política e do poder económico”, uma afirmação curiosa de quem sempre se mexeu muito bem nestes bastidores. Mas nada tema D. Balsas, Luís Paixão Martins está pronto a ir em seu socorro.

Luis Paixão Martins, que trabalha com a Impresa, está pronto a dar uma ajuda a Balsemão e transformar-se em “director” da próxima edição do Expresso, metendo lá algumas notícias bem montadas para ajudar a Impresa na luta contra a Ongoing, uma estratégia que ajuda a alimentar a sua motivação sempre presente de fazer mossa a Cunha Vaz (que trabalha com a Ongoing), o que torna esta contenda uma  coisa muito interessante.

É curioso que nos bastidores (de que Balsemão tanto gosta) esta seja uma disputa entre duas figuras da comunicação que partilham o facto de deterem as duas agências do regime: Luís Paixão Martins e Cunha Vaz. Ou seja, temos um conflito ao centro de dois grupos de comunicação que sempre estiveram confortáveis independentemente da cor política que nos governa e que agora não olham a meios para se atacarem e defenderem  quem lhes paga.

Luis Paixão Martins aproveita sempre que pode, no seu blog Lugares Comuns, para lançar farpas  a Cunha Vaz,  e as farpas mais recentes são a matéria que LPM quer usar no Expresso, já que as mesmas servem também a Balsemão no ataque à Ongoing.

Uma luta muito curiosa entre dois rostos incontornáveis da comunicação do regime em Portugal, que mexe com dois poderosos grupos económicos. Uma apaixonante novela, em tempos de crise, que ainda vai fazer correr muita tinta.

A perigosa concentração dos Media

Alfredo Maia, sobre escutas ilegais,  alerta para “os riscos da concentração da propriedade dos meios de informação”.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas (SJ), Alfredo Maia, veio “tranquilizar os portugueses” e  assegurar que em Portugal não há escutas ilegais nos media. Pasma-me que alguém esteja em posição de afirmar tal coisa – só se andasse a escutar todos os jornalistas e responsáveis dos media – mas, passando por cima desta imprudência, é de destacar um alerta para “os riscos da concentração da propriedade dos meios de informação, até para os próprios grupos”.

Afredo Maia lembra que o escândalo no império mediático de Rupert Murdoch “terá repercussões ainda incalculáveis sobre o gigantesco grupo – aliás de escala planetária – designadamente pela desconfiança gerada na opinião pública, que receia estar a ser instrumentalizada por métodos desleais”… Um aviso à navegação de outros impérios mediáticos onde, há largos anos, já muitos notaram uma intrumentalização por métodos, no mínimo, desleais.

O Expressinho de Balsemão

O Expresso vai lançar o Expressinho, não uma versão reduzida do semanário, que já se justificava, dado o cada vez menor número de jornais vendidos,  mas um ” jornal feito especialmente para os mais pequenos, com uma seção noticiosa e uma parte lúdica, que constituem uma ajuda para os mais novos iniciarem o hábito de leitura de um jornal”. Eu acho uma maldade Balsemão querer dar um Expressinho a crianças, mas quem sabe se não aprendem rápido que tipo de jornal não ler.

Homem de imaginação fértil, não tarda temos Balsas a escrever contos infantis para o Expressinho, já que tem larga experiência em histórias da carochinha.

Accionistas processam Murdoch

Rupert Murdoch e o  filho James vão ser processados por vários accionistas minoritários da News Corporation pelas actuações de ambos no escândalos das escutas ilegais.

Os accionistas do grupo consideram que os dois têm de responder pessoalmente pelo escândalo, em vez de ser a News Corporation a defender-se colectivamente.

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Expresso lança moda da reciclagem das notícias

O Expresso do último sábado, como bem salientou Marcelo Rebelo de Sousa na sua missa dominical, traz duas notícias insólitas. A das secretas a propósito do caso Bairrão e uma notícia com chamada à capa  sobre a presença da Ongoing em África, esta última a prova de que, preocupado com o desenvolvimento sustentável, o Expresso dedica-se agora à reciclagem de notícias do Sol e da Lusa.

Saraiva deve a esta hora estar muito contente de ver o Expresso recuperar noticiais já dadas pelo Sol, mas ao que parece em Carnaxide, como é hábito, os senhores acham que as coisas não são notícia quando acontecem mas apenas quando saem no semanário de Balsemão. Um caso de esquizofrenia que só se entende num conceito muito ecológico de reciclagem de facto, só espero que a moda não pegue…Bem sei que Balsemão está a precisar de dinheiro, mas esta de diversificar o investimento no mercado de reciclagem é obra.

Novo director de informação da Lusa aprovado

Fernando Paula Brito é oficialmente director de informação da agência Lusa. A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) aprovou a sua  nomeação para o lugar antes ocupado por Luís Miguel Viana.

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Balsemão à mesa com Globo… RTP, a cereja no topo do bolo

Balsemão e Roberto Irineu Marinho estiveram a almoçar num restaurante no Estoril, com as relações entre a Impresa e a Globo e, segundo o Correio da Manhã, também  uma compra pela TV Globo  da participação da Ongoing a constarem no menu. Mas a  RTP foi certamente tema de conversa e é a cereja no topo do bolo.

Embora a eventual intenção de Balsemão de colocar, via TV Globo, a indesejada Ongoing fora da Impresa, pareça credível, há também outra possibilidade que não pode ser descartada, como nos ensina a história dos media portugueses, a que Balsemão, por todas as más razões e mais algumas, está intimamente ligado.

A Balsemão pode interessar convencer Marinho a avançar para a compra da RTP. Era um excelente negócio para Balsemão que assim ficava com um aliado na concorrência, uma aliança pessoal para controlar o mercado de TV. E os portugueses ganhavam uma carrada de novelas brasileiras para se entreterem e esquecerem as agruras da vida e as dificuldades do país.

De resto a história tem sólidos fundamentos. Basta lembrar que, no final da década de 70, inícios da década de 80, quando Balsemão tinha a cargo a Comunicação Social procurou entregar a RTP a Roberto marinho (pai do actual), fazendo-o entrar pela porta das traseiras (RTP 2 e a publicidade).  O fundador da Globo chegou a vir a Portugal mas acabou por ser ignorado e viu frustrada a promessa feita por Balsemão de ser condecorado por Ramalho Eanes.

Agora, Balsemão pode querer compensar o seu amigo pela  desfeita da altura a Roberto Marinho  e lançar um ataque concertado à RTP, que vê como uma ameaça ao status quo (que ainda assim coloca a SIC à rasca). Balsemão já mostrou publicamente que está com medo da concorrência na TV se esta chegar às mãos da Ongoing, da Cofina ou de ambas como tem sido avançado.

E ainda havia mais uma vantagem em cima da mesa para esta jogada, o facto de SIC e Globo estarem interessadas em criar uma joint-venture para produção de conteúdos. A Globo está disposta por essa via a usar a SIC para entrar no mercado europeu e africano, num belo casamento por conveniência.

Balsemão entre Murdoch e Berlusconi

São três indignos representantes da geração do quarto poder pois vêem-no não como estando ao serviço de todos mas tão somente ao serviço dos seus interesses pessoais sem conhecerem limites dentro da sua soberba de tipos importantes.

Não é preciso recordar o caso das escutas que tantos problemas coloca agora a Murdoch, nem os recorrentes casos de promiscuidade de Berlusconi que usa o poder combinado das TV’s e da política para fazer o que lhe dá na real gana, nem ainda o facto de Balsemão ser também sinónimo de uma ligação permanente e esquisita entre política, negócios e média, com passagem pelo governo marcada por ofertas de TV’s e outras trapalhadas, estar intimamente ligado à criação de, pelo menos, um banco falido e, no mínimo, ser muito trapalhão.

Todos detêm grupos de media que, sem olhar a meios, condicionam a política. Berlusconi, neste capítulo supera largamente os outros dois e basta lembrar que só a santa aliança entre as TV’s e a política o salva de processos mais graves do que o que agora enfrenta Murdoch.

No caso do português e do britânico, os dois impérios mediáticos (de escala bem diferente) têm em comum o facto de estarem agora debaixo de fogo e em perigo eminente de ruir. E, tal como acontece com Balsemão, também a sucessão familiar do império de Murdoch está em perigo. A investigação aproxima-se do filho do magnata britânico.

Estes impérios mediáticos à conta do facto dos três personagens, mais do que uma questão de poder económico e político, serem “agentes de influência”, sabe-se lá ao serviço de quê e controlados por quem. Ele há mistérios insondáveis. Eça e Ramalho bem poderiam escrever mais uns folhetins de “O Mistério da estrada do Guincho”, perdão, de Sintra.

Murdoch, Berlusconi e Balsemão são filhos do mesmo tipo de espírito santo totalitário e partilham a participação em encontros de Bilderberg e outras sociedades secretas (no caso de Berlusconi, a P2) , organizações nada transparentes e que, por isso mesmo, muitos rumores e teorias da conspiração têm suscitado, mas que independentemente dos objectivos específicos são concentrados de gente com claras ambições de controlo de tudo o que de importante se passa no globo, sem que se conheçam as suas motivações, nem objectivos: sabendo-se apenas que são os seus objectivos particulares que as movem.

Aos encontros de Bilderberg, Balsemão, que funciona como o porteiro português do grupo, tem levado inúmeras personalidades portuguesas e recentemente não resistiu e atreveu-se mesmo a convidar a sua pluma caprichosa. E também Murdoch tem uma: Rebekah Brooks que, reconheça-se, é muito melhor que a versão “balsiana” Clara Ferreira Alves, em todos os sentidos. Já com Berlusconi as plumas caprichosas são incontáveis.

Balsemão é a versão menor de Murdoch e Berlusconi. Partilha com eles a mesma matriz “cultural” e nada no mesmo “caldo de cultura”. Isto sobre o que comungam. A diferença reside no local de… residência. Balsemão habita o “país dos brandos costumes”… E isso faz a diferença. Toda.

Imprensa sobe com pôr do Sol

A imprensa recuperou leitores no segundo trimestre deste ano, de acordo com os últimos dados do Bareme Imprensa da Marktest. Todos os jornais e revistas melhoraram o desempenho, com a única excepção a ser o Sol do Saraiva que continua a perder brilho.

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Murdoch dá passo atrás

Rupert Murdoch, depois de se ter visto obrigado a acabar com o News of the World, por causa do escândalo das escutas telefónicas, retirou agora a oferta para a compra do BSkyB. O contexto deixou de ser o melhor…