Monthly Archives: Março 2013

“Deriva”de Bruxelas

Há muito que se tornou clara a necessidade, por razões várias, que em Bruxelas revejam bem as prioridades. No Comité de Proteção dos Jornalistas andam agora muito preocupados com a “deriva” dos media portugueses controlados por angolanos… tema que já é de ontem, há muito que aqui escrevo sobre ele, e não é seguramente a principal preocupação de hoje, mas é aparentemente a grande preocupação do momento em Bruxelas (deve ser do fuso horário).

Além de não comungar com a racionalidade das críticas feitas à boleia dos critérios editoriais do Expresso, de há uns meses a esta parte, julgo ser mais urgente discutir hoje a deriva dos media portugueses controlados por portugueses e o flagelo dos despedimentos nos merdia, que parecem coisa de interesse menor para um Comité interessado em proteger jornalistas…

No Libération escolheram  um digno representante da classe, Nicolau Santos, para opinar sobre o tema: “As autoridades de Luanda não aceitam que os media portugueses escrevam artigos que não lhes agradam. Não temos o mesmo conceito de liberdade de expressão”…

Caro Nicolau, a liberdade de expressao salvaguarda precisamente que as autoridades de Luanda possam não aceitar e criticar artigos que não lhes agradam. E quanto ao conceito, nem em Potugal partilhamos o mesmo. O nosso deverá seguramente ser diferente, pois quanto a artigos que não agradam a quem manda o melhor é nem falarmos disso…

Os “cagarolas” do Público

É um dos temas quentes da semana , a entrevista de Belmiro ao jornal de que é dono.

Para memória futura ficam estas frases…

“Hoje, 50% do custo de ter o Público são remunerações dos jornalistas, mas 100% da decisão do Público é dos jornalistas. No projecto inicial que me foi ´vendido`, a Sonae aceitou um modelo, em que se deu importância excessiva ao jornalista. O jornalista que é o dono da peça acha que tem o direito de dizer as asneiras que quer. “
Cristina Ferreira e Manuel Carvalho – Senhor engenheiro?!
Resposta de Belmiro- …“Espere lá, se quer que eu diga o que penso, porque este problema tem de ser resolvido. Outra coisa é que os directores são uns cagarolas e cada vez que um quer mexer numa peça é automaticamente acusado de censura. Ainda recentemente aconteceu na TVI. A única maneira de os jornalistas poderem ter a razão do seu lado é assumirem a responsabilidade penal e material das suas asneiras. Neste momento, não é assim. O proprietário paga a multa e sobre o impacto todo de imagem. Escrevem-me muito a chatear por causa dos artigos.

E se prova fosse necessária do que diz belmiro sobre os directores, ficou desde logo feita comesta capa, onde as críticas de Belmiro ao próprio jornal são esquecidas e substituídas por umas frases menos sumarentas… cagarolisse editorial oblige…

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