Monthly Archives: Junho 2010

As últimas 24horas

O  24horas publicou hoje a sua última edição, a número 4415, com uma capa de fundo negro e o editorial: “Adeus, não! Até já…”. E mais uma dezena de gajos ficaram no desemprego.

O diretor, Nuno Azinheira, diz que “o 24horas chega hoje ao fim, mas não morre hoje. Não morrerá nunca. Porque quando surgiu, há 12 anos, trouxe uma nova forma de jornalismo”. Mas a verdade é que morreu mesmo, nas últimas 24 horas, conforme-se que a vida é mesmo esta miséria. Leia a história aqui.

Anúncios

Requiem ao 24horas e ao Global, mais jornalistas na MERDiA

“Obrigado a todos pela dedicação, mas a profunda alteração estrutural do mercado de imprensa exige decisões estratégicas”. Não sei se foram estas exactamente as palavras transmitidas aos trabalhadores do 24horas e do gratuito Global, quando foi anunciada a hora da sangria , mas, segundo o Público , não lhes foi comunicado que por  “decisões estratégicas” se queria dizer: “um processo de despedimento colectivo envolvendo os profissionais em causa”, como mais tarde revelava o comunicado que chegou à Agência Lusa.

Ora lá vão mais de 30 profissionais para o olho da rua e, do modo como estão os media em Portugal, dificilmente escapam à vertigem do fundo desemprego, esse balão de oxigénio com prazo de validade, onde se mata sem misericórdia, mas com subsídio, gente capaz, alguma com anos de tarimba e vontade de trabalhar, mas que vê todos os dias mais portas fecharem-se a uma oportunidade de voltar ao activo, com retorno de activos (sim que a moda dos gratuitos também já chegou aos postos de trabalho dos media). São menos dois jornais a dar emprego (os quatro jornalistas do Global traduziam-se ainda assim em mais quatro famílias com dinheiro para comer).

Dos 50 trabalhadores dos dois títulos, ficam 17, que arranjaram no universo media do grupo Controliveste, famílias de acolhimento. Abençoado concentrado de media que permite gesto tão nobre e generoso (ainda que a Controlinveste, quer em matéria de concentrados, quer no toca ao espírito solidário, não se compare à outra impresa).

Como se pode ler no Comunicado do Conselho de Administração da Controlinveste: “O encerramento das duas publicações implicará, lamentavelmente, a supressão dos postos de trabalho associados à sua produção, pelo que se iniciará um processo de despedimento colectivo envolvendo os profissionais em causa. É, indiscutivelmente, muito duro para a empresa terminar com a edição de dois dos seus títulos que, apesar dos resultados, têm tido leitores fiéis e trabalhadores dedicados, aos quais a Global Notícias, Publicações, S.A. não pode deixar de dirigir uma palavra de reconhecimento” – acompanhada de uma carta de despedimento, como mandam as regras da boa educação. Merda de Media, Media de Merda…