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Virgens ofendidas

A MTV foi obrigada a desistir da ideia de lançar um reality show com jovens virgens, dispostos a revelar a sua caminhada rumo à perda da virgindade. Uma ideia bizarra de programa que gerou de imediato um coro de protestos capaz de obrigar o canal de música a recuar.

Por cá outro coro de imaculados ofendidos se faz ouvir. Tudo porque foi apanhado na trapalhada Secretas/Ongoing um relatório sobre Balsemão e que incluirá detalhes da vida privada deste personagem e que a acusação decidiu dar a conhecer aos jornalistas, expondo, assim, publicamente o dito relatório. Lá estará também um e-mail que, pelo que é dito no DN de hoje, será um que um leitor do MERDiA em tempos achou que devia aqui revelar e que, pelo interesse do que lá é dito, publiquei (agora, o próprio Marcelo explica que o e-mail é uma resposta sua a um telespectador do seu programa da TVI). Nesse e-mail, Marcelo Rebelo de Sousa desmente de forma categórica o que Balsemão havia dito numa entrevista.

Agora espanta-me ouvir alguem dizer que fazer um relatório sobre a vida de Balsemão é um atentado à democracia… Sejamos sérios, em nenhum dicionário Balsemão surge como sinónimo de democracia (nem mesmo em chinês simplificado (“民主“), e, pelo contrário, muitos exemplos aqui tenho denunciado que revelam exactamente o contrário. Balsemão, apesar do que diz publicamente, nunca fez nada pela pluralidade dos media, muito pelo contrário é coisa que não lhe interessa ter (veja-se a guerra aberta contra a privatização da RTP), e, no tempo em que teve oportunidade de fazer o quer que fosse pela democracia deste país, provou à saciedade que não tinha competência política para liderar um país democrático.

A forma como sucessivamente tem tratado os seus inimigos de estimação, como Emídio Rangel, sucessivamente apagado da história da SIC, à moda de Estaline, é disso um exemplo perfeito.

Deixo uma pergunta: Aqueles que hoje se indignam com o relatório da vida de Balsemão têm lido e visto os conteúdos dos jornais, revistas e TV’s do Balsas ao longo dos anos? É que são incontáveis os casos de exposição pública dos pecados privados de outros, muitas vezes com esses ditos trabalhos de investigação jornalística a serem alvo de acusações de recurso a violações grosseiras do segredo de justiça, sem que venha a público cantar qualquer coro de virgens ofendidas…

 

Balsemão apaixonado

O namoro de Balsemão com o dinheiro angolano é, como o petróleo, refinado. A Visão de hoje mostra que não quer o dinheiro da sua accionista Newshold, a da semana passada que quer o de Isabel dos Santos, ou não fossem já estar ligados por um amor InterOceânico.

Talvez esta paixão ajude a explicar um certo descontrolo e a tendência para o auto-elogio, como se viu nos Globos de Ouro. E pode ainda ser motivo –  a fraqueza dos homens leva-os a fazerem-se de valentes quando estão apaixonados –  para o  interesse em fazer uma guerra sem quartel contra tudo o que é concorrência, primeiro a Ongoing, agora a Newshold.

Neste último caso decidiu mostrar Ana Bruno como uma verdadeira empresária de sucesso em lavagens de dinheiro (depois de tudo que aqui já escrevi sobre a Newshold só se espanta quem quiser)… Uma mente distorcida podia até imaginar um telefonema de Balsas a Ana Bruno, ao estilo Relvas, a dizer-lhe que ou se portava bem ou ele expunha a sua vída pessoal na Internet…

O que me preocupa nesta guerra cega merdiática de Balsemão contra tudo o que mexe na concorrência (e incluo Relvas na concorrência por causa da teimosia em privatizar a RTP), é correr o risco de se enganar no alvo e acertar num espelho…  E aí as páginas do Expresso e da Visão seriam curtas, para uma vida tão preenchida…

500 despedidos nos merdia em quatro anos

500… O número símbolo do estado de merdia a que chegou o sector dos media em Portugal.  Entre 2006 e 2010, foram 500 os trabalhadores despedidos, a larga maioria na imprensa (452). Isto num quadro em que  houve uma subida de 5,5% da receita por trabalhador nas empresas de imprensa, e as remunerações dos conselhos de administração ou órgãos sociais cresceram uns obscenos 13%.

As conclusões são do Fórum de Jornalistas que revela ainda que “em 2010, metade das 12 empresas analisadas apresentava prejuízo”….
E isto só até 2010… Pois nos últimos dois anos foram vários os cortes de postos de trabalho nos merdia que aqui registei: só na Impala 70 trabalhadores foram alvo de um processo de despedimento colectivo, a que se somam, nos principais concentrados de media, os despedidos da Impresa do Balsemão, da Controlinvest do Oliveira, do Público do Azevedo, do Económico do Vasconcellos, da Cofina do Fernandes, , da TVI do Cébrian e da RTP do Estado.

O despedimento colectivo é muito “Económico”

Já aqui tinha referido que a diária Crise Económica já namora o Diário Económico, e que esta era uma atracção fatal para os trabalhadores do jornal da Ongoing.

Na altura falava-se em rescisões por mútou acordo, mas ficamos agora a saber que a Ongoing se prepara para fazer um despedimento colectivo, mandando assim à merdia um número ainda não revelado de trabalhadores, tudo porque estes – vá se lá saber porquê! – não aceitaram rescindir contrato.

Fonte oficial da empresa já garantiu ao CM: “Estamos na derradeira ronda negocial com essas pessoas, pelo que o colectivo é uma possibilidade”. Uma possibilidade de merdia digo eu… e dizem certamente os principais prejudicados com esta medida que visa “objectivos a atingir” no domínio financeiro.

 A Economia de palavras é muito conveniente num sítio onde o despedimento colectivo é muito “Económico”… O director do jornal, António Costa, como seria de esperar, nada tem a dizer ao assunto!

A “Anatomia” de Nicolau do Laço

É um arrazoado de especulações, supostas intenções, contradições e amálgamas várias. Um arrazoado que apresenta opiniões (na base do “eu acho que”) como factos. Um arrazoado que apimenta essas opiniões com factos pontuais, re-enquadrando-os não no seu contexto original mas no contexto absolutamente arbitrário que à opinião do autor interessa atribuir-lhe. Para ‘credibilizar’, o autor imputa, de entrada, a verdadeira autoria das ‘conclusões’ a outra pessoa e a outro jornal. Livrando-se também das responsabilidades da autoria.

Quando, um dia, alguém fizer um doutoramento sobre desinformação, manipulação e ‘campanhas negras’ em Portugal, este texto constará dos anexos da tese… O autor do arrazoado começou a ‘carreira’ na falecida “Voz do Povo”, da albanesa UDP, a escrever o que o comité central mandava e como mandava. Pelo visto, ainda não perdeu o hábito. O comité central é que mudou… Enfim, se isto é que é o jornalismo à la Expresso, é uma miséria de jornalismo! 

Ou como diz, à sua maneira, Pacheco Pereira: “Já escrevi e repito que uma das maneiras de identificar uma desinformação é ver como se vende ao mesmo tempo uma notícia e a sua interpretação conspirativa verdadeira. Vende-se a mentira e a verdade revelada no mesmo pacote. (…) Coisa de spin grosseiro ou de agência de comunicação manhosa, tão rudimentar e primitiva que é, mas como tem a combinação de intriga, simplicidade e fraqueza humana para ser bem entendida pela corporação dos jornalistas, ciecula como um vírus. É um vírus.”

Aprecie-se.

Anatomia da Ongoing

  • Nicolau Santos
  • 3 Mar 2012
  • Expresso/Economia

A excelente investigação da jornalista Cristina Ferreira do “Público” sobre a Ongoing permite chegar a algumas conclusões.

1) Heidrich & Struggles foi o cavalo de Troia, através do qual a dupla Nuninho-Rafa (como se tratam) passou a gerir as carreiras de milhares de quadros médios e superiores;

2) o Compromisso Portugal, que teve Rafael Mora por trás, visou a ligação à geração de empresários, gestores, políticos e jornalistas na casa dos 40 anos;

3) em 2003, o ex-ministro Pina Moura passa a consultor da H&S e transita depois para a Ongoing. Será presidente não-executivo da Media Capital e ascende a presidente da Iberdrola Portugal;

4) António Mexia, enquanto ministro, foi decisivo para abrir à H&S o acesso às grandes empresas públicas — e Mário Lino fundamental a alargar esse acesso: TAP, ANA, PT, EDP, Águas de Portugal, CTT, Carris, Estradas de Portugal;

5) foram essas avenças de empresas públicas (algumas escandalosas e outras sem justificação), que permitiram à dupla ganhar estofo financeiro para se abalançar a outros voos;

6) o salto em frente é dado com a OPA da Sonaecom sobre a PT, em que Ricardo Salgado utiliza Nuno Vasconcellos (a quem financia) como testa de ferro para ajudar a travar a operação;

7) Mora elabora o novo modelo de governação do BCP, que vai conduzir à rutura entre Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto;

8) quando PTP abandona o banco e a solução Pinhal falha, é Mexia quem mexe os cordelinhos para colocar a administração da CGD à frente do BCP;

9) o BCP vai tornar-se em seguida o principal financiador da Ongoing;

10) o sistema de remunerações da administração da EDP, que tem proporcionado enormes bónus a Mexia, foi elaborado por Mora;

11) a estratégia exige uma imprensa submissa: o primeiro passo é a compra do “Económico”, por €27 milhões. O controlo da TVI falha, o domínio sobre a Impresa também;

12) a estratégia exige uma enorme alavancagem financeira. A Ongoing lança fundos de investimento de alto risco, no qual investem PT (75 milhões), BES (180 milhões) e Montepio Geral (30 milhões);

13) a escalada exige também acesso a informações privilegiadas (a Ongoing contrata quatro espiões);

14) … e ligações ao PSD e PS (vários ex-políticos trabalham para o grupo).

Pergunta a António Costa: Quantos do Económico vão para a Alemanha?

Tweets

Serviço público. Depois da notícia do Economico. Mais de oito mil portugueses concorreram aos empregos da cidade alemã economico.sapo.pt/noticias/mais-…

 

O António Costa publicou este tweet. O que gostava mesmo de saber era quantos dos portugueses que concorrem são empregados do Económico, que está num processo de mandar gente embora… Talvez num próximo tweet o director do Económico possa dar resposta a esta pergunta…

 

Atracção fatal entre o Sr. Diário Económico e a Sra. Crise Económica dá… despedimentos

A diária Crise Económica já namora o Diário Económico… e a atracção deste casal é fatal para os trabalhadores do jornal da Ongoing que vão ficar na merdia.

As rescisões por mútuo no DE vêm engrossar as listas de despedimentos nos merdia à portuguesa, depois de ontem ter sido anunciado que a Impala vai pôr no olho da rua 70 trabalhadores, num processo de despedimento colectivo, e de antes termos registado uma tendência igual e preocupante noutros grupos, como o Público do Belmiro, a Cofina do Paulo Fernandes, a Controlinvest do Oliveira, a RTP do Estado, e a Impresa do Balsemão. E agora à lista junta-se a Ongoing do Vasconcellos.

Diz a empresa que os trabalhadores vão sair por mútuo acordo, mas um despedimento é um despedimento e há sempre a hipótese de terem de despedir sem acordo- por isso deixem-se de tretas!.  A merdia de vida será a mesma para quem sai e deixa de trabalhar. E já começam a ser demasiados os jornalistas na merdia…

“O conselho de administração da Económica SGPS decidiu iniciar um processo de redução de custos, com o objetivo de conseguir poupanças anuais de 2,1 milhões de euros, e um milhão e pouco tem a ver com recursos humanos, um pouco mais de metade”, revela à Lusa fonte oficial da empresa.

“Apesar de se tratar de um programa de rescisões voluntárias, as várias direções, incluindo a editorial, estão a convidar pessoas a rescindir, com o objetivo de preservar o “core” do Diário Económico, que são as seções de economia, finanças e empresas”, acrescenta a mesma fonte oficial. Ou seja, voluntárias, mas por convite…

A empresa explica que a culpa é da crise. E por não resistir à atracção vai de fazer poupança à custa de cortes em “colaborações, colunistas e rescisões”, vitímas do amor fatal entre os Sr. Económico e a Sra. Económica

Que vida de merdia esta, que merda de vida!!!

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Todos nós somos vítimas da ameaça de Balsemão

Os tipos da Ongoing dizem ser “vítimas da ameaça de Pinto Balsemão”… mas isso não devia surpreender. Eu cá acho mesmo é que as grandes vítimas de Balsemão somos todos neste país, que teve de o aturar como um dos piores primeiros-ministros de que há memória, e o atura como conselheiro do estado a que este país chegou, militante nº 1 de um dos partidos responsáveis pela crise em que mergulhámos e detentor de um concentrado de media que usa a belo prazer… E como é evidente nas contas de Balsemão só entra o dinheiro que accionistas como a Ongoing lá puseram e que entretanto se esfumou, e não uma qualquer partilha de poder.

Abertas as hostilidades, bem prometeu o vingativo Balsemão: “a Ongoing há-de pagar”. E agora além de querer afastá-la da Impresa onde está à  rasca com o buraco em que a mergulhou, Balsemão aproveita também para fazer uma guerra entre o poder de Bilderberg e a Maçonaria. Como já aqui escrevi em tempos:

Balsemão, tal como Berlusconi e Murdoch, é um “agente de influência”, que usa o seu império mediático sabe-se lá ao serviço de quê e controlado por quem (agora os angolanos parecem ter voto na matéria…). Balsemão é mesmo um homem de muitos mistérios, alguns deles insondáveis. Eça e Ramalho bem poderiam escrever mais uns folhetins de “O Mistério da estrada do Guincho”, perdão, de Sintra.

Murdoch, Berlusconi e Balsemão são filhos do mesmo tipo de espírito santo totalitário e partilham a participação em encontros de Bilderberg e outras sociedades secretas (no caso de Berlusconi, a P2) , organizações nada transparentes e que, por isso mesmo, muitos rumores e teorias da conspiração têm suscitado, mas que independentemente dos objectivos específicos são concentrados de gente com claras ambições de controlo de tudo o que de importante se passa no globo, sem que se conheçam as suas motivações, nem objectivos: sabendo-se apenas que são os seus objectivos particulares que as movem.

Entre a Maçonaria e Bilderberg, uma coisa é certa, sabemos bem mais sobre os primeiros, e vendo o perfil de quem frequenta Bilderberg a coisa assusta-me um bocado… Até porque imaginar Balsemão num encontro a conspirar para dominar o mundo não é algo que me deixe muito tranquilo… não que acredite, por um segundo, que o conseguisse fazer, mas se for para sermos dominados por qualquer tipo de gente que não seja por um qualquer bando de Balsas.

Isto agora não vai parar tão cedo e se começar a amainar, há SIC, Expresso, Visão e até a Caras, se necessário, preparadas para reacender a polémica. Uma excelente cortina de fumo, qual noite de nevoeiro, para permitir os  avanços de  D. “Sebastião” Balsas e dos seus  particulares interessess… Dois exemplos: BCP (à boleia do voo InterOceânico), RTP (que é para manter como está para a SIC não ter concorrência)…

CMVM desnuda Balsemão

Balsemão foi apanhado em falso e agora ganhou mais um ódio de estimação para a caderneta. A CMVM, pressionada por poder ser vista como responsável por fugas de informação, veio sacudir a água do capote e revelar que os dados relativos ao caso que opõe a Ongoing e o grupo de Pinto Balsemão, que surgiram há dias na imprensa,  foram divulgados por advogados da Impresa e, mais grave, o que surgiu em público, são reproduções parcelares e não contextualizadas das Informações internas da CMVM.

A denúncia vem pôr a nú o hábito de Balsemão em manobrar nos bastidores, o que para os menos atentos pode ser um choque. Os largos anos de experência como manobrador profissional de pouco servem, no entanto, quando se age e reage mais com o coração do que com a cabeça, e isso é fatal para quem manobra.E  Balsemão tem dado provas, nos últimos tempos, de andar de cabeça perdida.

Desta vez Balsemão fez tudo de um modo muito amador e precipitado. Espero que tenha aprendido e melhore a técnica, afinal é um dos maiores especialistas nacionais na matéria. Se não podermos confiar na qualidade das manobras de bastidores de Balsas, em quem podemos confiar?

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Expresso fantasioso

Na guerra Imprensa-Ongoing, que tanta tinta tem feito correr, com troca de acusações de ambos os lados, parece que já vale tudo, até falar em sondagens sobre a polémica que só quem as revela conhece.

Henrique Monteiro começa assim o seu mais recente artigo de opinião: “As peripécias reveladas pelo Expresso acerca das secretas têm tido duas leituras: uma, desvaloriza-as, dizendo que se trata de uma mera guerra entre Impresa e Ongoing. Outra, maioritária, sublinha o total descontrolo nos serviços de informação da República, exigindo o cabal esclarecimento do caso”.

Ora o Henrique sabe, tão bem como eu, que há regras muito claras para a divulgação de sondagens nos jornais. Onde está a ficha técnica da mesma, é que eu gostava de saber como calculou a maioria de que fala para sustentar as suas ideias. O inquirido foi Balsemão, o próprio Henrique Monteiro e um paquete? Ou será que imaginou? É que se foi esse o caso, em nome da transparência, devia ter começado o seu texto por “Eu imagino…” e podia ser até que a moda pegasse e fizesse escola no Expresso, onde imaginação não tem faltado, ao longo dos anos.

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