Balsemão e Crespo: Muito mais forte é o que os une… a Kaúlza de Arriaga

Quando a polémica estalou perguntei aqui no MÉRDiA: Será que desta vez o Crespo, ao invés do alarido que fez quando foi censurado no Jornal de Notícias, se vai calar?

Mário Crespo, em Moçambique, ao lado do general Kaúlza de Arriaga, de quem era adjunto

A resposta tem sido evidente. Não mostra t-shirts na Assembleia de República, não pede comissões de inquérito e nem sequer reage quando vê Balsemão tirar-lhe o tapete e repetir, qual papagaio, que “O ‘Expresso’ já tomou a decisão que tinha a tomar”, ao mesmo tempo que lhe continua a dar asilo na SIC.

Estranho? Nem por isso, se tivermos em conta que estas duas personagens merdiáticas partilham uma experiência de vida que terá sido seguramente marcante, a convivência e conivência, no caso de Balsemão mais do que elogiada, com Kaúlza de Arriaga, esse grande general sem vitórias, responsável pelo massacre de Wiriamu (o maior crime de guerra cometido nas antigas colónias), fundador do partido de extrema-direita “Movimento para a Independência e Reconstrução Nacional” (MIRN), figura do mais reacionário que havia no Estado Novo e que foi ainda responsável pela operação Nó Górdio, para ele “um sucesso” que o tornava  o “segundo melhor perito do mundo em guerra subversiva, logo a seguir a Giap- célebre chefe militar nas guerras da Indochina e do Vietnam” , para a História um falhanço…

O sorriso de Balsas diz tudo sobre o prazer que tinha em servir Kaúlza

O general que pode ser retratado, como o fez, em 2004, José Pedro Castanheira, curiosamente no Expresso (estaria Balsemão a tentar lavar-se dos pecados ou deixou escapar esta na censura?), com uma simples frase: “Kaúlza de Arriaga foi comandante militar em Moçambique, defendeu teses racistas e quis derrubar Marcelo Caetano, que via como “traidor”.

Kaúlza, para que se fique com uma ideia da personagem,  é autor de  prosas como esta: “Nós não seremos capazes de manter a dominação branca, que constitui um objectivo nacional, a não ser que o povoamento branco se efectue a um ritmo que acompanhe e ultrapasse, mesmo que ligeiramente, a produção de negros evoluídos“.

Crespo foi, em 1972, colocado no Gabinete de Imprensa Militar de Kaúlza, enquanto, onze anos antes, Balsemão foi ajudante de campo do então Coronel e Sub-Secretário de Estado da Aeronáutica e de tal forma se empenhou em agradar a Kaúlza que chegou mesmo a ver o seu empenho distinguido com um louvor por ter tido “uma colaboração para além da que seria devida às suas funções de ajudante de campo“, em particular na redacção da revista Mais Alto:

O que quereria Kaúlza de Arriaga dizer de Balsemão quando escreve ” para além da que seria devida às suas funções de ajudante de campo”?
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