Trabalhadores da Lusa dizem: Distribuição de dividendos a Balsemão e Oliveira “é imoral”

No plenário realizado ontem pelos funcionários da Lusa saiu a decisão de “por unanimidade enviar um texto a todos os acionistas (já enviado por e-mail e seguirá também por carta)”, onde consideram imoral a distribuição de dividendos, lembram que os mesmos só existem à custa dos sacrifícios impostos aos trabalhadores, e reclamam que, entre outros, Balsemão e Oliveira prescindam dos mesmos:

“Lisboa, 1 de fevereiro de 2012

RESULTADO DO PLENÁRIO

Os trabalhadores da LUSA reclamam junto dos acionistas que prescindam do direito  de receberem os dividendos da LUSA relativos ao ano de 2011.

A distribuição de dividendos é imoral, dadas as circunstâncias atuais.

Os trabalhadores da LUSA, reunidos em plenário, relembram os acionistas (Estado, Controlinveste, Impresa, NP, Publico, RTP, Primeiro de Janeiro e Empresa do Diário do Minho) que o Governo, devido à crise, determinou cortes salariais, no trabalho suplementar, congelamento de carreiras e suspensão do pagamento dos subsídios de férias e de Natal de 2012 e 2013 dos trabalhadores de empresas do sector público ou com participações de capitais públicos, que é o caso da Lusa.

A distribuição de dividendos é completamente inaceitável na medida em que o Governo vai reduzir em 15% o valor do contrato programa da LUSA, a partir de 2013, montante este equivalente ao valor dos dividendos a distribuir pelos acionistas.

Dado o panorama financeiro acima exposto, a administração prevê a redução de efetivos. Assim, os trabalhadores da LUSA estão contra a distribuição de dividendos e apelam ao bom senso e ao dever de cuidar, função de todos os acionistas, para que a empresa se torne mais sólida financeiramente para enfrentar futuros desafios”.

À parte deste assunto que motivou a convocatória de plenário, ficou ainda decidido que os trabalhadores fariam chegar, por e-mail, à CT todas as dúvidas, questões e sugestões que gostariam de ver respondidas/acolhidas pela Administração. A CT comprometeu-se a compilar toda a informação e enviar um documento à Administração”.

Governo e Conselho de Administração também totalmente contra pagamento de dividendos

Este plenário surgiu depois de, na semana passada, a reunião da Comissão de Trabalhadores (CT) da Lusa com o Presidente do Conselho de Administração (PCA) para ter acesso ao “plano de avaliação e sustentabilidade da Agência” entregue ao ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, embora ter-se revelado ineficaz quanto ao acesso ao documento, ter tornado muito claro o facto de todos (excepto os privados) estarem completamente contra o pagamento de dividendos aos grupos de merdia de Balsemão e Oliveira, os maiores accionistas privados da agência de notícias, e restantes beneficiários dos mesmos dividendos.

No encontro, revela um comunicado da CT,  “o presidente do CA reiterou estar contra a distribuição de dividendos, posição aprovada em sede de orçamento pela maioria, tendo tido os votos contra dos representantes da Impresa, Controlinveste e NP” – apenas interessados em ter mais dinheiro para alimentar os seus concentrados de media.

“Numa altura em que o Governo pede à Lusa para reduzir o valor do contrato programa em 15%, o futuro da empresa depende em muito da decisão sobre a distribuição de dividendos, uma vez que a concretizar-se vai condicionar o reajustamento das despesas da empresa. 

Apesar de se ter recusado a entregar o documento, o PCA comprometeu-se a reunir com CT depois da assembleia geral, prevista para março, em que ficará decidida a questão dos dividendos. Só nessa altura o PCA poderá esclarecer os trabalhadores como e onde pretende reduzir as despesas em 15%.

O PCA confirmou que o seu plano prevê uma redução de efetivos, ressalvando que esta obedecerá “sempre a um programa de rescisões por mútuo acordo”. Quanto ao número “ideal” de efetivos a reduzir, o PCA diz que esta depende da questão dos dividendos.

A CT alerta que os resultados operacionais positivos contêm montantes de valor significativo que a empresa poderá vir a não arrecadar ou ter de devolver, pelo que uma distribuição de dividendos pelos acionistas seria ainda mais criticável“.

Um alerta consciente, mas que, ou nada me engano, não servirá para acalmar a voracidade de Balsemão e Oliveira. A ambos já não basta andarem a cortar nos seus grupos para manter o status, precisam também de mais uns cobres vindos directamente do erário público para alimentar a Lusa e os seus resultados (que para os contribuintes nada têm de positivos, como aqui já se explicou).

Anúncios
Post a comment or leave a trackback: Trackback URL.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: