Balsemão diz que não, e a gente acredita?

“Não é verdade”. Balsemão, quiçá acometido por um lapso de memória, nega que haja interesse da Globo em entrar no capital da SIC e vai mesmo mais longe: “Não houve conversas, tem havido muitas perspectivas, nomeadamente no âmbito da produção. Neste momento será o único caminho”. Já a Globo, diz também que “não, mas não temos nada contra”.

Para avivar a memória de Balsemão vou me dar ao trabalho de republicar o que aqui escrevi há dias. E é sempre bom recordar também o almoço no Estoril entre Balsemão e Roberto Marinho, revelado pelo Correio da Manhã e não desmentido.

Indignada com Balsemão, Globo contra-ataca e quer controlar Impresa

Depois de Balsemão e Roberto Irineu Marinho terem estado, em Julho, a  almoçar num restaurante no Estoril, os brasileiros ficaram desagradados com a proposta de Balsemão, de entrarem na Impresa como minoritários (sendo apenas maioritária a elevada quantia de dinheiro que teriam de injectar na Impresa para D. Balsas gerir a seu belo prazer – especialista que é em gerir empresas com o dinheiro dos outros).

A Globo não perdeu tempo a fazer uma contra-proposta e estão agora dispostos a negociar a compra de 51% da Balseger, holding que controla a Impresa. Ou seja, ao invés de parvos, coomo Balsemão devia supor, são pragmáticos e se é para pagar então querem ser eles a gerir.

Balsemão é que parece não estar disposto a abdicar do trono desse modo até porque sabe bem que um cenário desses iria obrigar a uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a Impresa. E agora vai fazer tudo para manter o controlo nas suas mãos e dos seus descendentes.

“A vender, seria tudo”, diz uma fonte citada pelo Diário Económico. Isto porque Balsemão bem sabe dos problemas financeiros em que mergulhou a Impresa e, por isso mesmo, desesperado, procurou caridade junto dos brasileiros. A alternativa são investidores angolanos. Talvez os mesmos que têm usado Balsemão para preparar uma ofensiva ao BCP através de um alto voo InterOceânico.

Já sobre  o acordo de co-produção entre a estação brasileira e a portuguesa e a inauguração da sede da Globo em Lisboa:

Globo quer casar com SIC por conveniência

A Globo está interessada em criar “uma joint-venture com a SIC para produção própria e, quem sabe, para vender para fora, por exemplo para os canais cabo”, mas pelos vistos esse é o bilhete a pagar, como revelou ao CM Marcelo Spínola, responsável do grupo, para entrar no mercado europeu e africano.

A Globo vê Portugal (neste caso Carnaxide) como “o lugar natural e estratégico para a entrada na Europa”, ou seja a empresa brasileira tem como objectivo aproximar-se “dos parceiros portugueses e continuar o plano de expansão para outros mercados”, como Angola, Moçambique e Cabo Verde.

Esta visão utilitária de um grupo de media português faz sentido do ponto de vista da Globo, mas só a ingenuidade portuguesa (neste caso de Balsemão) a autoriza. Os grupos de media portugueses têm de perceber que estão de facto numa posição privilegiada, que a própria Globo reconhece, para alargarem a sua influência, sobretudo, em África, ao invés de servirem apenas de rampa de lançamento para que outros grupos internacionais o façam.

Mas Balsemão não parece estar interessado nesta visão mais estratégica, basta-lhe, pelo que se tem lido, ser para a Globo um mero intermediário na ligação Brasil-Àfrica (alimentada a novelas brasileiras no prime-time da SIC) e ser para outros parte da ligação interoceânica Angola-Portugal, que tem no controlo do BCP destino final.

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