Balsemão normaliza relação com angolanos

Balsemão disfruta agora de ligações regulares a Angola. À boleia de voos interoceânicos, prepara já um grupo de media com nome bem a propósito deste novo rumo que dá aos seus negócios.

Curioso ângulo de abordagem, que vem de Angola, sobre a recém anunciada criação por Balsemão de um grupo de media angolano em parceria com a Finicapital – empresa muito ligada ao Banco Atlantico,em parte detido pela Sonangol, o mesmo que está metido na Interoceânico, grupo criado pelos angolanos e alguns balsemões para controlar o BCP (uma intensão que está já em marcha acelerada).

De acordo com o Luanda Digital, a joint-venture Rumo Media significa uma normalização das relações entre Luanda e Balsemão.

Esta iniciativa é o primeiro passo da normalização das relações entre o grupo português e o regime angolano. Os órgãos do grupo não eram bem considerados pelas autoridades angolanas, principalmente após as reportagens sobre o acto eleitoral de 2008. A Finicapital é uma empresa próxima dos meios presidenciais, o que significa uma alteração na atitude dos angolanos”, pode ler-se aqui.

Esta normalização muito tem que ver, seguramente, com o facto de Balsemão ser um peão muito útil no xadrez angolano de controlo do maior banco privado português. Ou seja, o amigo Balsemão ajuda os Angolanos a entrar no BCP e passa a ter acesso ao mercado dos media do país, tudo uma questão de negócios.

AG do BCP formaliza domínio dos interesses angolanos no banco

“A próxima assembleia geral do BCP vai formalizar o domínio dos interesses angolanos no banco, que passam a ter não um representante, como acontecia até agora (Manuel Vicente, presidente da Sonangol), mas pelo menos três membros no Conselho Geral e de Supervisão, estrutura onde as matérias estratégicas são decididas.E pela primeira vez, desde a sua fundação em 1986, o BCP terá na comissão executiva um gestor recrutado em grupos ligados a interesses accionistas: José Iglésias Soares, do angolano Banco Atlântico (detentor de 49 por cento do Millennium bcp Angola, e onde a Sonangol tem uma forte presença)”, revela a Angonotícias

“A próxima reunião magna do BCP, agendada para 18 de Abril, vai decorrer num quadro de crise de liquidez e de confiança, o que facilita a passagem do controlo accionista do maior banco português para as mãos de capitais angolanos, liderados pela petrolífera estatal.

O reforço da Sonangol no BCP, em articulação com o Banco Atlântico e com a InterOceânico, holding liderada pelo banqueiro angolano Carlos da Silva (do Atlântico), é parte integrante da estratégia de consolidação do novo poder, que, em 2008, substituiu o grupo de Jardim Gonçalves.Carlos Santos Ferreira tem procurado juntar a este grupo, de modo a criar uma estrutura accionista equilibrada, capitais chineses, tendo mantido contactos com o ICBC.

É neste quadro que as listas candidatas aos órgãos sociais do BCP, subscritas por vários accionistas como a Sonangol, Metalgest (de Joe Berardo), Teixeira Duarte, EDP, Sabadell, STDM (de Stanley Ho, agora representada pela filha, Pansy), integram vários novos nomes ligados ao eixo angolano.

No Conselho Geral e de Supervisão, para além de Manuel Vicente, que ocupa o cargo de vice-presidente (a Sonangol, que lidera, é o maior accionista do BCP com 14,6 por cento do capital, com autorização do Banco de Portugal para subir até 20 por cento), este órgão de gestão passará a ser encabeçado por António Monteiro, embaixador português de carreira.

António Monteiro, que substitui Luís Champalimaud nas funções, é um dos accionistas portugueses (tal como Francisco Balsemão, Proença de Carvalho, Rui Nabeiro, e Hipólito Pires) da InterOceânico, holding controlada por capitais angolanos.

E é, também, quadro do Banco Atlântico. António Monteiro já pertencia aos órgão sociais do BCP, ocupando agora uma posição de maior relevo. Depois, também Carlos da Silva, que domina o Banco Atlântico e preside à InterOceânico, vai passar também a sentar-se no Conselho Geral.

O eixo angolano no BCP conta com o apoio de grandes accionistas portugueses, como é o caso da Teixeira Duarte (TD), que reforçou, ainda que ligeiramente, a sua posição no banco para 7,8 por cento. A TD tem interesses em Angola onde desenvolve parcerias com o Banco Atlântico. Se se articularem no BCP com os angolanos formam uma minoria de bloqueio. Outros investidores, ou já estão no país africano, ou projectam entrar.

É neste contexto, que vai entrar para a Comissão Executiva do BCP José Iglésias de Sousa, actual administrador do Banco Atlântico. A nomeação de Iglésias resulta numa alteração no modelo de governação, pois, na prática, este órgão deixa de ser totalmente independente dos accionistas, como acontecia desde a fundação. O que era aliás defendido por Jardim Gonçalves“.

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