“O poder de Balsemão”…Ó Diabo!

Pinto Balsemão disse hoje no Parlamento, onde foi ouvido sobre o funcionamento do regulador dos media, que a ERC tem  “excesso de poderes”, mas para o jornal “O Diabo“, na edição de 15 de Março, é o próprio Balsemão que vê o xadrez mediático nacional a movimentar-se ao sabor dos seus interesses, reforçando o seu poder. E, digo eu, qualquer poder que tenha é em excesso.

No artigo “O poder de Balsemão”, o jornalista Paulo Pizarro nota que  “o patrão da SIC tem à frente da concorrência pública e privada dois jornalistas [José Alberto Carvalho e Nuno Santos] que já passaram pelo seu canal. O caminho para uma liderança financeira e de audiências está em aberto”.

“Face às movimentações que se assistiram nos últimos dias, chega-se à conclusão de que há elos directos entre o dono da SIC e os nomes que a partir de agora irão estar à frente da RTP e TVI, facto que permite concluir que Pinto Balsemão tem desde já a via livre para cumprir o plano de retirar a publicidade ao canal público e conquistar mais lucros para si”, diz Pizarro.

O jornalista recorda um outro plano de Balsemão, já aqui lembrado há dias, de entregar um canal à Igreja, na altura em que foi primeiro-ministro.

Para “O Diabo”, hoje  “as peças do xadrez estão a movimentar-se ao sabor do Patrão de Carnaxide”, cujo interesse será, por um lado, retirar a publicidade da RTP para encaixar mais uns milhões e, por outro, ver, nos lados de Queluz, uma competição menos aguerrida. Neste sentido, como refere o jornal, “longe vai o tempo em que, por exemplo, Emídio Rangel, ex-director da SIC, abandonou a estação de Carnaxide em litígio com Balsemão e assentou arraiais no canal do Estado onde fez concorrência feroz ao antigo patrão. Não se prevê que, quer José Alberto Carvalho, na TVI, quer Nuno Santos, na RTP, venham agora a desafiar abertamente o poder do seu antigo patrão como o fez no passado o mesmo Emídio Rangel – cujos anunciados novos projectos jornalísticos com a parceria do antigo administrador da PT, Rui Pedro Soares, terão acabado antes de começarem”.

Pizarro recorda que “Portugal é um País pequeno e José Alberto Carvalho e Nuno Santos sabem que um dia ainda podem ter de vir a comer da mesma mão que já lhes pagou salários – com estas mudanças de mercado, há muito que perdeu sentido aquele dito geralmente atribuído a Balsemão de que não se deve voltar a contratar uma empregada que resolveu despedir-se por vontade própria”.

“A guerra das audiências vai começar. Poder-se-á argumentar que, para a TVI e RTP, será uma vantagem ter à sua frente pessoas que conhecem o que vale a SIC e quais as formas de a combater. Mas, para a SIC, o mesmo argumento também é válido. E o patrão deles é um ex-primeiro-ministro e, recorde-se de novo, militante número um do partido que quer voltar a governar Portugal com maioria absoluta”, conclui.

Caso para dizer: Ó Diabo!

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Comentários

  • Vieira  On Abril 28, 2011 at 11:12

    Não consigo descobrir o artigo do P. Pizarro em lugar nenhum.
    Será a asfixia democrática do Sócrates?
    Acho que, se algum jornalista de investigação se agarrasse às canelas deste nosso Murdoch, analizasse o seu Poder real e as suas ramificações, talvez algo mudasse na assertividade política deste Povo inculto, mal formado e assustadoramente mal informado ( se calhar, estou a esperar demais, mas, quem sabe?)
    O mais provável era o referido jornalista ser, acidentalmente, atropelado por um camião TIR.

  • jorgebentodossantos  On Abril 28, 2011 at 15:04

    O artigo do Paulo Pizarro só o enccontra, infelizmente, na edição em papel. Pode sempre contactar O Diabo para lhe arranjarem um exemplar,porque vale bem a pena guardar e relembrar.

    Creio que há ainda na praça jornalistas capazes para um trabalho sério sobre o patrão Balsas, que, tal como já referi aqui anteriormente, se quer, ao que parece, afirmar no espaço merdiatico português como uma versão (provinciana e low-cost) do magnata Rupert Murdoch.

    Passar à prática essa tarefa de escrever sobre Balsemão, sem pressões ou censuras, é que já deve ser mais complicado, ainda assim não acho que esteja a esperar algo demais. E o trabalho de Paulo Pizarro é já um bom exemplo de um trabalho sério.

    PS: Os voos InterOceãnicos permitem também imaginar a utilização de um Boeing 747.

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