RTPLusa: Jornalistas da Lusa querem reunir com ministro

Os trabalhadores da Lusa estão preocupados com as notícias sobre a possível agregação da Lusa à RTP e revelam ter já pedido audiências “com carácter de urgência ao ministro da tutela e aos líderes de todos os partidos representados na Assembleia da República”.

Na carta a que o Jornal de Negócios teve acesso, os representantes dos trabalhadores da Lusa “querem e merecem ser esclarecidos sobre o futuro da agência, quer no que diz respeito à sua independência e projecto editorial, bem como do futuro dos seus cerca de 300 trabalhadores”.

Os jornalistas mostram-se ainda apreensivos face às declarações de Afonso Camões, o presidente da agência, que manifestou estar de acordo com a possibilidade da agência ser agregada à RTP,, em declarações ao jornal Público, “onde aponta para poupança em serviços de back Office, frota, segurança e limpeza e garante que não haverá despedimentos de jornalistas, o que deixa implícito que haverá despedimentos nos restantes sectores da agência”.

Também o presidente do conselho de administração da RTP, Guilherme Costa, já disse em público que que a colaboração “pode ser aprofundada”, num comentário às declarações do ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão.

O Governante deixou os jornalistas da Lusa e da RTP pelos cabelos ao revelar que o Governo tem em estudo “soluções de agregação” entre a RTP e a Lusa que possam garantir “racionalidade e economia de custos”, algo que, a bem da verdade, muito tem falado no serviço público dos media.

Mas se a proposta visava uma reflexão, Lacão consegui pôr o Sindicato dos Jornalistas a decidir: rejeitar a agregação da RTP e Lusa, com um argumento absurdo que mereceria seguramente uma reflexão mais cuidada: “o governo abriu o assalto dos privados ao operador público de televisão”.

Uma coisa é defender a autonomia autonomia e identidade da Lusa e da RTP e apontar para riscos de despedimentos de jornalistas e outros trabalhadores com tal sinergia (por enquanto apenas reflexiva) como também e bem o sindicato fez. Outra bem diferente é agitar a bandeira da privatização num quadro em que ao que me parece o governo quer é sobretudo poupar dinheiro com os seus serviços públicos nos media.

Não sei se era bom fundirem-se ou não, tenho de reflectir mais sobre o assunto como foi pedido publicamente pelo senhor ministro, agora também já o escrevi que o actual serviço público de televisão não serve e pode mesmo, como já impõe a lei às estações que transmitem em sinal aberto, ser prestado por outros. E o que sempre defendi aqui foi que precisamos de mais concorrência no mercado e entrada de novos players e novas ideias.

A pluralidade nos media é fundamental para o exercício da liberdade, que muito falta nos nossos grandes concentrados de media. E gera emprego, ao contrário dos concentrados só interessados em espremer ao máximo os seus recursos humanos.

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